11/02/2009 – 11:02
A insistência com que o governador André Puccinelli manda divulgar, agora, pesquisas eleitorais dando-lhe ampla vantagem para uma eleição que só vai acontecer no final do ano que vem demonstra o medo que ele tem de ir para um tête-à-tête com seu arquirrival Zeca do PT. É a mesma tática usada nas eleições municipais ano passado, em Dourados, quando ameaçava Ari Artuzi, aliás, com o mesmo Instituto de Pesquisas, para tentar fazê-lo desistir da disputa e, depois, durante a campanha, projetando a vitória de seu candidato o vice-governador Murilo Zauith.
Além de manipular números (outras pesquisas apontam a vitória de Zeca do PT), o governador manda a imprensa subvencionada espalhar a notícia de que Zeca do PT não teria coragem de enfrentá-lo. Pior, com informação dúbia, dando a entender que esta seria sua quarta vitória contra o petista. Não é verdade. No mano a mano, André só derrotou Zeca uma vez e ainda assim com as calças na mão, num resultado muito questionado, inclusive na justiça, quando de sua primeira eleição para a prefeitura de Campo Grande. Depois disso Zeca do PT se elegeu governador, encorpou politicamente e é atualmente a maior liderança de oposição ao governador, sem contar o apoio que tem de seu amigo e companheiro de birita, o presidente Lula. Além disso, é covardia usar como estatística a vitória sobre Ben-Hur Ferreira, na reeleição para a prefeitura, e um desrespeito à família Trad querer adonar-se da vitória do atual prefeito Nelsinho Trad, sobre o sobrinho de Zeca, Vander Loubet, nas eleições passadas.
Importante observar também que o frenético esforço de Puccinelli para trazer a Copa do Mundo de 2014 para Campo Grande está fazendo com que ele esqueça o interior do Estado. Muito esforço para pouco resultado eleitoral de curto prazo, que é o que lhe interessa, uma vez que quando começar a campanha do ano que vem a bola vai estar rolando, ainda, na Copa do Mundo da África e, por aqui, só entulhos da reconstrução de Campo Grande para o evento que virá só quatro anos depois.
O que sobra, eleitoralmente, para André Puccinelli no esquecido interior do Estado é – por tudo que se tem visto até agora – a iminência de uma catastrófica administração de Ari Artuzi em Dourados, o que lhe daria a oportunidade de um revide, já que fez das tripas coração para que o estabanado gaúcho de São Valentim chegasse aonde chegou.
Além de tudo isso pesquisa é pesquisa e retrata o momento. Daqui pra outubro do ano que vem muita água vai correr por debaixo das pontes e pelos dutos da política estadual.
