19.7 C
Dourados
sexta-feira, julho 3, 2026

Uma viagem fantástica, a preço de banana

- Publicidade -

01/03/2009 – 17:03

Preocupado com o que nossa funcionária Ana Líria pudesse estar imaginando por me ver só enfurnado no escritório, resolvi dar trela, outro dia, percebendo sua curiosidade pelo tanto que espichava o olho na direção da tela de meu computador. Você já viajou de avião? E ela: não, nem em sonho. Sem a intenção de querer tripudiar, mas para completar a pegadinha, emendei: já foi à praia, curtiu o mar? Saiu apenas um “quem me dera”, em tom amargurado.

Pedi que se aproximasse da escrivaninha. Desconfiada, amparando-se no cabo da vassoura, foi encostando, enquanto eu acessava ao Google Earth. Disse-lhe que primeiro faríamos um voo de helicóptero, o que foi prontamente rechaçado: aquele bicho que voa sem asa? Nem pensar! Depois de tranqüilizá-la quanto ao risco zero de uma viagem virtual, decolamos do heliponto do redondo aqui em frente de casa rumo ao Canaã I, o bairro onde ela mora, com muito orgulho, pelo fato de ser vizinha de nosso burgomestre. Seus olhos brilhavam ao contemplar “lá de cima” o trajeto que faz diariamente em sua magrela, apiedando-se de nós, pobres motoristas, pelo malabarismo que somos obrigados a fazer para desviar de tantas crateras, como no trecho da Toshinobu Katayama, no Portal, que ela conhece tão bem, pois também para quem pedala a situação é periclitante.

Depois de me mostrar sua casa começou a apontar para a vizinhança, localizando, inclusive, a casa de minha tia, Eva Diniz, fazendo questão de um sobrevoo na escola Sócrates Câmara, e, claro, mais pra cima um pouquinho, um rasante na casa do prefeito Artuzi. Fascinada com tudo o que via, já na volta, chamou-me a atenção para um amontoado de madeira lá embaixo. Era a serraria do finado Dioclécio Sucupira Artuzi, o vereador cujo legado político causa hoje tantos solavancos na segunda maior cidade do Mato Grosso do Sul.

Antes de retomar sua missão, que naquele dia era a de tirar as teias de aranha do teto de minha sala, Líria quis saber da praia. Ah, mas pra lá temos que embarcar num avião. E ela: enfim, vou realizar meu sonho. Mais dois, três cliques, e Dourados vai sumindo na tela. Atravessamos o estado de São Paulo num sapoité, já que nosso destino não poderia ser outro – a praia mais famosa do Brasil. Lá está, disse, apontando para as areias de Copacabana com suas calçadas em detalhes que lembram as ondas do mar cuja imensidão a deixa estupefata: mas isso azul é tudo água? Um rápido giro pela costa brasileira, de norte a sul, e estamos de volta, em terra firme. Ela está, realizada, mas apressada, afinal, quem vai pilotar (o fogão) agora é ela.

Poucos dias atrás minha filha Ana Carolina me liga de San Diego, na Califórnia, onde trabalhou nos últimos dois anos, intimando-me a visitá-la, não mais na terra de Barack Obama, de onde sai agora por causa da crise, mas em Viena, na Áustria, aonde chegou, de mala e cuia, na manhã de sábado. “Pai, providencie seu passaporte que estou mandando as passagens”, ordenou-me. Ponderei que esse negócio de blog me prende por aqui pelo menos até a audiência estar consolidada. E assim, devo empurrá-la com a barriga o quanto puder, embora seja tentadora a idéia conhecer a cidade onde um tal de Freud inventou esse negócio de psicanálise, e muito grande a saudade da filha querida.

Mas ontem mesmo, enquanto conversávamos pela web-can, e eu preocupado com sua adaptação na gélida capital austríaca, comecei a dar pistas de que me dou por satisfeito com tudo o que já conheço daquelas bandas, pelo tanto que voei por lá, nos últimos dias, a bordo do mesmo aviãozinho que transformou em realidade o sonho de nossa funcionária. E sem precisar relaxar e gozar para fugir do estresse das filas de aeroportos. Melhor ainda, tudo a preço de banana, já que paguei o computador em suaves prestações mensais.

- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -

Últimas Notícias

Últimas Notícias

- Publicidade-