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Tetila governador, Murilo senador

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08/03/2009 – 21:03

Depois de tantos anos como coadjuvante no processo político, já carregando a malsinada pecha de cidade dos vices e dos suplentes, surge finalmente a oportunidade de Dourados virar este jogo de cartas marcadas. Pelo menos no campo das probabilidades a semana que passou serviu de alento para as pretensões dos dois maiores expoentes da política local – o ex-prefeito Laerte Tetila (PT), lançado pelo senador Delcídio do Amaral para disputar o governo do Estado e o vice-governador Murilo Zauith (DEM) que, com o lançamento da candidatura da prefeita Simone Tebet, de Três Lagoas, pelo governador André Puccinelli, ficou mais isolado ainda, não lhe restando alternativa a não ser partir também para a disputa.

O lançamento de Tetila aconteceu num programa de entrevistas numa emissora de rádio de Campo Grande. Claro que por trás disso está a disputa interna entre Delcídio e Zeca do PT pelo comando do partido, ainda mais com a esnobada do ex-governador, que deixou o senador falando sozinho esta semana em Brasília, depois do encontro com a cúpula petista, sugerida por Lula, para tratar da candidatura ao governo. Delcídio, que dois anos atrás, ao elencar os motivos de sua derrota para Puccinelli, na disputa pelo governo do Estado, criticou o “corpo mole” de Tetila, pode até não estar falando sério, mas pelo simples fato de citar o nome do ex-prefeito como provável candidato a governador já se redime perante os xiitas do partido que sempre o viram como tucano enrustido, além de fazer uma média danada com o eleitorado da cidade que tanto sonha com isso.

Quanto a Murilo Zauith, que pelo menos da boca pra fora ainda demonstra fidelidade canina ao governador, a candidatura ao senado se impõe na medida em que aumenta o número de concorrentes por ele abençoados às duas vagas do senado. Como se não bastasse sua preferência pelo deputado peemedebista Waldemir Moka, Puccinelli flerta com o petista Delcídio do Amaral, numa estratégica jogada para evitar o confronto com Zeca do PT, não consegue se sair do senador Valter Pereira, seu companheiro de partido, e, agora, pra completar, vem com esta história de Simone Tebet. Além de não incluir Zauith entre os prováveis candidatos ao senado, sabendo que este é o sonho dourado dele, Puccinelli vai mais longe, avisando que a vaga de vice em sua chapa está aberta à negociações.

Sonho de uma noite de verão? Pode até ser, mas já passou da hora dos políticos douradenses deixarem as picuinhas e os interesses partidários de lado e começarem a pensar mais na cidade, nos interesses maiores da região, indo do discurso à prática para a execução de um grande projeto político.

Na esteira da sugestão de Delcídio, com Laerte Tetila fazendo o papel de tertius, bem que titio Zeca poderia – e por que não? – demonstrar o quanto gosta de Dourados e sair candidato a vice, ou deputado federal, já que é o pivô da encrenca que pode complicar a situação do partido.

Da mesma forma Murilo Zauith. Descartado por Puccinelli, o vice-governador tem tudo, partido, perfil e até uns troquinhos, se for preciso, para gastar na campanha.

E o mais interessante: como são duas vagas para o senado, o eleitorado do PT pode descarregar o primeiro voto em Delcídio do Amaral e o segundo em Murilo Zauith. Em contrapartida, democratas e afins, douradenses ou não, todos, teriam um grande motivo para cravar o voto em Tetila para governador, bastando para isso que o ex-prefeito se vire para arrumar um vice bom de voto de Campo Grande. Não é uma maravilha? E que venha Puccinelli pedir voto aqui para Simone Tebet e Waldemir Moka. É o feitiço virando contra o feiticeiro, com aquele que promete surrar o adversário de cinto podendo levar uma surra de votos.

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