14/03/2009 – 11:03
Ao “autorizar” ontem o Hospital Evangélico a reassumir o atendimento pelo Sistema Único de Saúde, o famigerado SUS, o governador André Puccinelli afirmou que a saúde é uma questão suprapartidária e deve ser encarada como prioridade absoluta. Eureca! Se for assim, por que não resolveu o problema enquanto o PT comandava a prefeitura de Dourados?
Desde que Puccinelli o assumiu o governo corria a informação de que era só Tetila sair da prefeitura que o atendimento voltaria ao Evangélico. Coincidência ou não, aconteceu ontem, dois meses e treze dias após a troca de comando na prefeitura. E olha que o governador é médico-cirurgião, por formação, profissão que exige alta sensibilidade para a questão.
Outra pérola neste traumático imbróglio em que se transformou situação da saúde e, também, produzida por um médico, o deputado federal Geraldo Resende: “Com os convênios assinados ontem os serviços de atendimento à mulher, que compreendem tanto o atendimento de urgência e emergência até os casos eletivos, bem como a atenção à mulher gestante passam a ser uma referência nacional”. Referência nacional! ele disse, prestem bem atenção, depois complementando: “Estamos vivendo um novo momento na saúde pública do Estado, com importantes investimentos, graças à vontade política do governador André”. Ah, quer dizer que o negócio era mesmo falta de vontade política? Precisou morrer cerca de duzentas pessoas no Hospital de Urgência e Trauma, segundo o Conselho Municipal de Saúde, por falta de médicos e equipamentos, para que a vontade política do governador fosse despertada?
Depois de tanto ufanismo, o negócio agora é torcer para que os pacientes do SUS não voltem às cadeiras de fios nos corredores do Evangélico, enquanto esperam por atendimento ou internação.
