05/04/2009 – 19:04
Sexta-feira santa. Abril, dia10. Mais um zero à direita (ainda bem! pois chega de zeros à esquerda) e estarão arredondados os primeiros 100 dias da administração do hipermegapopulista Ari Valdecir. É a primeira referência no calendário para começarem as analises e projeções quanto à assertiva ou não dos douradenses em cinco de outubro passado. Naquele dia, à noite, já nos braços do povo, comemorando a retumbante vitória, Valdecir foi enfático em sua primeira entrevista à TV Morena: “Quem não votou em mim vai se arrepender”. Oxalá o arrependimento da maioria, que não votou nele, seja pelo fato de não se poder bater no peito lá na frente para dizer que ajudou a escrever mais este capítulo da história da terra de seu Marcelino. Entre os que o elegeram muitos nem precisaram esperar o dia de orações e reflexões pela crucificação de Cristo para se darem por arrependidos por tudo o que (não) aconteceu até aqui.
Nesses cem dias, nem o Norte que compunha o nome da Perimetral – a obra que representa o maior anseio dos douradenses – se conseguiu achar, uma vez que pela nova e moderna metodologia artuziana-caldista de governar o que se convencionou chamar de “Anel Viário” não passa de uma miragem no deserto de ilusões que povoam as mentes iluminadas que cercam Valdecir. Mais um factóide, com o propósito apenas de pressionar André Puccinelli, que já avisou que só encamparia a obra num hipotético segundo mandato, sobrando desse carnaval todo apenas a certeza de que às vésperas das eleições do ano que vem se ouvirá um grande foguetório lá pelas bandas do meu Jaguapiru. E olha que Valdecir já fez o “lançamento” da indigitada obra, mas só no papel jornal e na telinha da Globo. Se gastasse essa dinheirama toda em projeto, talvez tivesse condições de bater à porta do agora presidente mais popular da Terra em busca de alguns caraminguás, para, aí, sim, poder voltar aqui, e, como prometeu na campanha, rasgar a Perimetral no peito e na raça, arrebentando cercas e abrindo porteiras de propriedades particulares que precisam, sim, ser desapropriadas, para desviar o tráfego pesado de ônibus e carretas que tanto infernizam o centro da cidade.
Fora isso o que aconteceu nestes cem dias? Em vez de ordens de serviços para tantas outras obras prometidas, ordem para usuários do SUS saírem no braço com funcionários dos postos de saúde e de hospitais em caso de mau atendimento; em vez de operação tapa buraco em todas as ruas da velha “Bagdá” herdada por Tetila e não apenas asfalto novo só nas vias próximas ao seu escritório político, operação caça as bruxas. Neste caso, a tão propalada nova metodologia se mostrou eficiente, pois não se tem notícia de uma tática tão acintosa de perseguição a funcionários como a que está em curso na administração pedetista.
O açodamento de Valdecir em ser prefeito, atropelando até transição, desembocou num início de administração totalmente equivocado, com a concentração de poderes que deixa assessores a ver navios; com decisões irresponsáveis, como o aumento ilegal de salários para secretários; a liberação geral e irrestrita das licenças ambientais e, o que é pior, correndo, já, o burburinho cada vez mais crescente de que vai continuar tudo como dantes no quartel de Abrantes quando o assunto é corrupção. Em vez de estancar esse jorro perverso do dinheiro público o que faz o prefeito? Atira no escuro contra adversários, como fez no imbróglio do transporte escolar, assunto que promete dar muito pano pra manga.
Mau começo, diga-se, delineado antes mesmo da posse, com a nomeação de secretários pela imprensa, expondo-se nomes, num total desrespeito a profissionais e instituições, como, por exemplo, a OAB, cujo presidente, Sérgio Henrique Araújo foi o primeiro a ser convidado e anunciado, depois não se falando mais nisso. Outros chegaram a comprar terno novo e comparecer à cerimônia de posse, saindo de lá perplexos por verem seus nomes simplesmente sendo rasgados da lista antecipadamente divulgada, incluindo-se nesse rol o vice-prefeito eleito, Carlinhos Cantor, só nomeado depois de alguns dias por força da interferência de caciques políticos que tiveram papel fundamental na eleição e precisaram bater o pé na hora de cobrar a fatura. Aliás, ao nomear profissionais dos menos qualificados em suas respectivas áreas para alguns dos pontos nevrálgicos da administração, Valdecir expôs publicamente facetas de sua personalidade até então conhecidas apenas pelos mais chegados, como a da insegurança que o transformou em bedel da coisa pública, agindo como moleque birrento, rodando as repartições não só para conferir a assiduidade de funcionários, principalmente médicos, e a da ingratidão, deixando verdadeiros ícones não só de sua campanha, como de sua trajetória política, à beira do caminho.
Quanto à sua principal meta de governo – a solução do problema da saúde -, o que ninguém esperava é que o pulo do gato consistia em voltar tudo à estaca zero, com a entrega do gerenciamento do setor não ao enfermeiro Edvaldo Moreira, para a frustração da classe médica, mas ao velho Evangélico, voltando a apreensão da população quanto à repetição das cenas dos descamisados “internados” em cadeiras de fios pelos corredores do mais antigo hospital da cidade.
Passados esses cem dias, a grande expectativa agora é quanto ao bom aproveitamento de um curso de etiqueta que o prefeito estaria fazendo, talvez para melhor receber seus convidados nos rega-bofes que a partir de agora não são mais limitados a Jorginho Dauzacker e Francisco Saraiva, na acanhada varandinha da casa do Canaã I, já que ele está se mudando de mala e cuia para um bairro mais condizente com sua condição de excelentíssimo, que é como gostam de enfatizar seus criativos assessores. Menos mal, pois já tem muita gente começando fazer a contagem regressiva para o fim do que pode ser um grande pesadelo.
