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Estalecas e pirapirês

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26/04/2009 – 17:04

O colunista social dos anos dourados do pedrossianismo e agora blogueiro Nilson Pereira alertava outro dia para o entra-e-sai de políticos e jornalistas num imponente edifício no centro de Campo Grande. Detalhe: na saída todos tomando os devidos cuidados para não deixarem à mostra o tipo ou o volume da encomenda que tanto os atrai. Como é muito difícil encontrar um detetive com o faro de um Sherlock Holmes sugeri a ele que solicitasse os préstimos do anãozinho espião, o Márcio, aquele contratado por José Elias Moreira para descobrir as obras do então vice-governador Braz Melo, durante as eleições municipais de 1996.

Pegando ou não alguém com a mão na botija, seria interessante que se gravasse toda a movimentação no tal edifício, além de se levantar a ficha de seus ilustres moradores, começando pelos eventuais pretendentes ou já ocupantes de cargos públicos, principalmente os eletivos. É que tudo isso pode estar ligado, já, a algum evento programado com bastante antecedência ou a reedição de grande espetáculo democrático, não se esquecendo que reedição custa sempre mais caro. De posse desses dados, é só ficar atento ao calendário de 2010, atentando-se também ao que pode acontecer em termos de eventos mais localizados, em 2012, tanto na capital como no interior, e, principalmente nas conseqüências em 2014 da grande reviravolta que ameaça acontecer já em 2010. E haja fôlego (ou caixa) para tudo isso!

Os períodos que antecedem esses eventos são sempre de grandes expectativas e rendem muito noticiário. Como a reedição de um deles, em 2002, que rendeu um show pirotécnico dos mais comentados da história, onde o vermelho se impôs de forma pragmática sobre o azul, que acabou amarelando, numa dessas alquimias inimagináveis da mistura de cores, depois de um despacho feito em plena Sexta-Feira Santa no estacionamento de um Shopping, em Campo Grande.

A verdade é que na terra da BBB Priscila Pires, a bela morena que fez bonito na casa cuja moeda circulante é a estaleca, as contas já começam a ser feitas para o desembolso inarredável de 2010, restando saber qual rubrica vai facilitar o jorro que, pelos grandes volumes, sempre foi calculado com base na moeda americana. Agora, em tempos de Big Brother, fala-se numa reserva de um bilhão de estalecas da qual não seria tão difícil assim apartar aí coisa de trinta milhões para o investimento principal. Circula, inclusive, a informação, de que desses “trintinhas”, vinte e quatro macinhos de quinhentas mil estalecas já teriam sido reservados pelo Big Boss, como forma de afastar os obstáculos para a corrida dos que já estão nos boxes, apenas aguardando a relargada para 2010.

Se em Campo Grande as estalecas não são problema, já que é lá que fica o cofre forte, na terra de seu Marcelino articula-se a criação de uma cooperativa com o objetivo de, finalmente, transformar um grande sonho em realidade, sem que haja necessidade de se depender da “boa vontade” do Big Boss. Aqui, mesmo com a desvalorização da moeda social criada pelo prefeito Laerte Tetila para tocar a economia solidária, calcula-se arrecadar em torno de dez milhões de pirapirês para que Dourados possa melhor se inserir no contexto político do Estado, fincando de vez o pé no tão sonhado tapete azul protegido pela famosa cúpula emborcada, o verdadeiro paraíso político.

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