29/04/2009 – 08:04
Enquanto a coisa está em nível de bastidores, de estratégia, nas colunas políticas e na “rádio peão”, tudo bem, mas daí a transformar o tema em campanha, ainda mais patrocinada por uma das entidades mais representativas, como a Associação Comercial e Empresarial de Dourados (ACED), pode ser um tiro no pé. “Dourados vota em Dourados”. É louvável o esforço dos dirigentes empresariais em defender o tal voto caseiro, mas de uma falta de estratégia sem fim, no momento em que o município mais precisa de parcerias políticas para tentar, finalmente, eleger seu primeiro senador, começando, a partir daí, a pensar num projeto para fazer lá frente também o seu governador.
O raciocínio é simples: se dependesse só dos votos daqui Dourados estaria hoje sem representatividade, tanto na Assembléia Legislativa como no Congresso Nacional, já que os dois únicos deputados do município – Zé Teixeira e Geraldo Resende – nunca precisaram tanto dos votos de fora para se eleger como nas últimas eleições. E assim sempre foi, é, e sempre será.
Imagine, caso prospere essa campanha, Murilo Zauith ou Laerte Tetila, pré-candidatos a senador e a governador por Dourados, chegando em Três Lagoas ou Corumbá para pedir votos? Podem dar com a cara na porta e serem despachados de volta. Nem cito Campo Grande, pois que a capital, em termos eleitorais, é sempre considerada terra de ninguém, diante do grande número de eleitores de todo o interior que para lá transfere seus títulos.
O que Dourados precisa é melhor se inserir no contexto político estadual, com suas “lideranças” deixando de olhar para os próprios umbigos e atuando como verdadeiros estadistas. E se querem exemplos não precisam ir tão longe, basta que estiquem os olhos para além da ponte do rio Dourados, e encontrarão o ex-distrito douradense de Vila Brasil, hoje Fátima do Sul, terra de André Puccinelli e de Londres Machado. Precisa dizer mais?
Além do mais, é bom lembrar, o regime vigente no Brasil ainda é a democracia.
