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sexta-feira, julho 3, 2026

O drama de Antonio Neres

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07/05/2009 – 20:05

Foto: Anita Tetslaff

O radialista Jorge Antonio Salomão virou prefeito de Dourados graças à veemência com que conduzia seus comentários à frente da Rádio Clube. Com ele não tinha mamãe eu quero. Escreveu, não leu, o pau comeu. Durante o mandato, “seu Jorge” não abandonou o programa “A Bronca”, que o deixou famoso. E o que acontecia quando o prefeito Jorge Antonio se enclausurava em seu estúdio, incorporando o espírito do radialista combativo? Baixava o porrete em quem não fazia a lição de casa. No prefeito, inclusive.

Era mais ou menos assim: depois das três batidas fortes com a mão direita no braço esquerdo, diante do microfone, em seu jeito intimista de se comunicar com seu grande público, o radialista fazia um relato das atividades do prefeito, lia as cartas das comadres, entrevistava os políticos que o visitavam e, ao final do programa saia-se com a seguinte frase: “agora vamos meter um pouco o pau nesse prefeito?”. E, aí, com a mesma transparência com que denunciava seu antecessor (e depois sucessor) João da Câmara, criticava a falta de água, de luz e de asfalto, problemas crônicos de então, e os que se arrastam até hoje, como a buraqueira das ruas, a falta de segurança, de médicos e de remédios, de emprego, enfim, dos problemas que sempre desafiaram todos aqueles se sentaram na cadeira hoje ocupada por Ari Valdecir.

Jorge Antonio nunca mais foi nada na política, mas jamais perdeu o respeito como o maior dos profissionais da “latinha” que Dourados já teve, fazendo e deixando fazer jornalismo, na rádio por ele dirigida.

Agora, quando se instala em Dourados a conturbada “república de São Valentim”, um dos mais disciplinados entre os pupilos de Jorge Antonio, o radialista Antonio Neres, quase uma unanimidade entre colegas e o grande púbico, vive o terrível drama shakespeariano: Ser ou não ser? Radialista ou assessor? Comunicador de massa, imparcial e com responsabilidade social, ou um mero instrumento pelas poderosas ondas da FM Cidade para fazer proselitismo político do excelentíssimo. Eis a questão!

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