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Regina Duarte salva abertura de exposição

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16/05/2009 – 19:05

Foto: Anita Tetslaff

 

O que é mais interessante aos produtores presentes numa cerimônia de abertura de uma feira agropecuária: as novidades relativas aos trâmites de projetos e leis de interesse da classe, no Congresso Nacional, ou uma interminável relação de nomes de pessoas ali presentes mas que nada têm a ver com o agronegócio? Por mais absurdo que possa parecer, para o cerimonial do Sindicato Rural de Dourados é melhor gastar o tempo fazendo média com gente sem a menor importância, que está ali só para se aparecer, do que, por exemplo, ouvindo o que tem a dizer o presidente da Comissão de Agricultura do Senado Federal, senador Valter Pereira, a quem foi estipulado o tempo de apenas um minuto. Assim, a cerimônia de abertura da feira agropecuária que há 45 anos se realiza no Parque de Exposições João Humberto de Carvalho só não foi um fiasco total graças à deferência do vice-governador Murilo Zauith, que abriu mão de parte do tempo de seu discurso para chamar a mais ilustre convidada da festa, a atriz e pecuarista Regina Duarte, para o centro do palco.

O cerimonial do Sindicato Rural, que organiza a festa, desta vez se superou. Além do costumeiro atraso que sempre quase mata de fome os convidados, já que insistem em fazer a abertura na hora do almoço, a pieguice no texto de apresentação e as gafes de sempre, trocando nomes e cargos de autoridades. O general Carbonel, por exemplo, teve o nome anunciado, mas quem estava lá para representar o comando da 4ª. Brigada era um coronel, e ninguém se preocupou em se desculpar ou corrigir a falha. A mesma coisa com o vice-prefeito Carlinhos Cantor, citado como vereador, e o vereador Zezinho da Farmácia, guindado inesperadamente à presidência da Câmara, mesmo na presença do titular do cargo, Sidlei Alves. Por falta de um, o presidente do CREA-MS teve três representantes, todos citados pelo cerimonial. Além dos 17 convidados para o que seria a “mesa” das autoridades, foram 75 citações de “ilustres convidados”, a maioria do tipo subtreco do vice-troço, como diretor de “jornal” que circula de vez em quando ou de “canal” de TV cuja audiência é traço, ou seja, zero.

Talvez por isso, em sua curta fala, o vice-governador Murilo Zauith tenha convidado a atriz Regina Duarte (foto) para lhe fazer companhia ao microfone. “Vamos falar de coisas boas”, disse Zauith ao receber a atriz global, fazendo um breve relato do potencial da cidade à ilustre convidada, que havia sido esquecida pelo cerimonial na primeira fila dos comum-mortais. Ela aproveitou o gancho do discurso do deputado Geraldo Resende, que lembrara sua visita a Dourados no tempo da luta pelas eleições diretas para fazer coro à grita da classe produtora pela paz no campo. “Vocês fizeram me lembrar de coisas que para mim eram páginas viradas da história, como a luta pelo direito democrático”, disse a lendária “viúva Porcina”, de Roque Santeiro, manifestando seu apoio à luta dos produtores em defesa de suas terras e sua “apreensão com essas coisas que ainda existem”, uma referência ao seu “medo” em relação às conquistas do Plano Real que se contrapôs à esperança pregada durante a campanha que elegeu Lula presidente da República, o que a deixou estigmatizada com setores da esquerda e do mundo artístico. Foi o que salvou a abertura da exposição.

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