23/05/2009 – 16:05
Foto: Anita Tetslaff
André Puccinelli caminha já para o final de sua administração à frente do Governo do Mato Grosso do Sul e não consegue repetir a performance como grande tocador de obras que marcou sua passagem pela prefeitura de Campo Grande. Tanto que vem se debatendo em busca de um mote, de uma marca que faça consolidar esta fama, começando a se inquietar, segundo fontes palacianas, diante da possibilidade – até então inimaginável – de ficar apenas quatro anos no Parque dos Poderes e não conseguir passar à história como o melhor governador da história, fazendo jus ao troféu que até agora reluz na estante de Pedro Pedrossian.
Não é à toa que sites da capital fazem enquetes para “descobrir” quem foi o melhor governador do Estado, por coincidência no instante em que titio Zeca do PT põe a cabeça pra a fora da janela do trem do Pantanal na viagem de volta para Campo Grande. E enquetes, como aquela que acaba de apontar Humberto Teixeira como o melhor prefeito da terra de seu Marcelino, são facilmente manipuláveis.
O grande problema é que Puccinelli focou seu governo na grandiosidade de projetos cujos resultados são de longo prazo, como o imaginário alcooduto ligando Campo Grande a Paranaguá, a rota – uma lenda – interoceânica entre o porto de Santos e Iquique, no Chile, passando por Campo Grande, e a tão decantada ferrovia Maracaju-Paranaguá, passando por Dourados, obra que pelo andar da carruagem deve começar quando o atual governador estiver de bengala. No mais, seu governo investe milhões em propaganda na TV e em revistas de circulação nacional para anunciar as obras do governo Lula ou as potencialidades naturais do Estado, que caminha com suas próprias pernas graças aos grandes investimentos da iniciativa privada, como os do setor sucroalcooleiro. Pior que ele nem pode se vangloriar pelo boom desenvolvimentista de Três Lagoas, pois tudo o que lá acontece hoje é fruto do trabalho do mesmo Zeca que, a esta altura do campeonato, virou uma espécie de assombração para Puccinelli.
Talvez isso explique tanto destempero verbal, somando-se os números das pesquisas para consumo interno que o governador sabe interpretar como ninguém e que podem ter feito acender o sinal amarelo, quem sabe por conta da frustração da população que esperava muito mais.
Mas nem tudo está perdido. Hoje o deputado Geraldo Resende anunciou que em agosto Puccinelli lança um “pacotaço” de obras em Dourados. Antes tarde do que nunca! Quem sabe daí sai o mote que o governo tanto precisa.
