27/05/2009 – 10:05
A frase do Ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, com um diretor do Banco Central, grampeada ilegalmente quando tratavam das privatizações no governo FHC, cai como uma luva para definir os números da pesquisa mandada publicar hoje na imprensa do Mato Grosso do Sul pelo governador André Puccinelli, mostrando seu “favoritismo” sobre Zeca do PT nas eleições que serão disputadas só em outubro do ano que vem. O IPEMS, o Instituto que há anos é contratado quase que com exclusividade por Puccinelli para medir sua popularidade, deve ter ido ao “limite da irresponsabilidade” na maquiagem dos números que, afinal, não são tão favoráveis assim ao governador, desde que analisados desapaixonadamente.
Mais interessante que a frieza dos números é a forma “competente” como eles são interpretados pela assessoria do governador na hora de alardear a pesquisa aos quatro ventos. Vejam, por exemplo, a manchete de O Progresso de hoje: “André Puccinelli seria eleito no primeiro turno”. E o texto, na página 5: “André Puccinelli derrotaria o ex-governador Zeca do PT, seu principal adversário, que recebeu apenas 28,09 de votos válidos num eventual confronto direto. Neste caso a senadora Marisa Serrano (uai, não é confronto direto?) teria 12,18%, contra 4,4% do ex-governador Pedro Pedrossian”. Veja bem, é a assessoria de Puccinelli que escreve estas coisas: Zeca teria “apenas” 28,09%. Pra quem está encalacrado em processos judiciais, fora do poder e da mídia, não está bom? Agora, some-se o percentual de Zeca, mais o de Marisa e o tiquinho de votos de Pedrossian, aos 80 anos de idade e aposentado há anos, mais a margem de erro, se é que é só 2,19% (quanta exatidão!), mais o tempo que falta pra eleição. Será que não dá mesmo segundo turno? Aliás, no primeiro cenário desta mesma pesquisa já não está dando, pois o governador aparece com 49,05%, como se vê, no limite.
Outra coisa, será que daqui pra outubro do ano que vem Puccinelli não vai falar bobagem o suficiente pra cair um pouquinho que seja? A menos que não haja campanha eleitoral, que André seja declarado, desde já, imperador perpétuo, como parece ser sua vontade, a julgar por suas atitudes.
Ah, o Ipems é o mesmo instituto que na eleição do ano passado apontava em Dourados a vitória de Murilo Zauith, candidato do governador, sobre o Valdecir.
