28/05/2009 – 15:05
Para quem não meu livro “Sonhos e Pesadelos”, restam ainda alguns exemplares em pelo menos duas livrarias da capital, nas quais estive semana passada (Lê, na Antonio Maria Coelho e Intelectus, na Barão do Rio Branco) e numa perto dos Correios, em Dourados. Nas páginas 69 e 71, há dois textos cujos títulos parecem mais atuais que nunca: “A difícil decisão de André” e “As viúvas de Puccinelli”.
Quando escrevi o primeiro texto, publicado em O Progresso , em 27 de março de 2003,informando que o prefeito de Campo Grande, André Puccinelli, aproveitaria os feriados daquela semana santa para meditar sobre os próximos e decisivos passos que deveria dar em sua carreira política, antecipando a informação de que desistiria de disputar a eleição do ano seguinte ao governo do Estado, com Zeca do PT, fui chamado de louco. O primeiro a desautorizar minha informação foi o jornalista Guilherme Filho, atual porta-voz de Puccinelli no governo, cargo que ocupava à época na prefeitura da capital. O então deputado Valdenir Machado, aliado de primeira hora de Puccinelli, foi um dos que me chamaram de louco.
Veio a semana santa. Lembro-me que foi num sábado de aleluia. E lá estava Puccinelli, na TV Morena, em pronunciamento oficial, anunciando que não seria candidato. Aí, quem achou que eu estava louco foi minha mulher, pois comecei a berrar, assustando as saracuras aqui da beira do Laranja Doce. Acertei na mosca.
Quando publiquei o segundo texto, “As viúvas de Puccinelli”, dia 2 de abril, cruzei com Valdenir Machado, na Caixa Econômica Federal, e ele veio logo perguntando: “Como é que você fica sabendo dessas coisas?”. É que eu havia dado uma tripudiadazinha, dizendo que só não gostaram do texto anterior “aqueles que se imaginavam detentores do monopólio da informação e da verdade ou os que viam na candidatura de Puccinelli talvez a última chance de uma sobrevida política”. Enfim, as tais viúvas, depois da famosa “amarelada”.
Agora a história se repete. Primeiro o governador força a barra com as pesquisas caseiras, enquanto aniquila companheiros e tenta tratorar adversários. A manchete de hoje do Correio do Estado é a maior prova desse desespero: “PMDB pressiona Lula para o PT não disputar o Governo em MS”.
E a pergunta que não quer calar: se André é tão forte como tenta passar à opinião pública, por que todo esse medo de enfrentar titio Zeca no mano a mano?
Quem conhece o italiano acha que ele é capaz de tudo, até de amarelar outra vez, para evitar o mico de uma derrota depois de tanta fanfarronice.
