03/06/2009 – 15:06
A decisão da Fifa confirmando Cuiabá como uma das subsedes da Copa do Mundo de 2014, depois de uma dura queda de braço com Campo Grande, fortalece o interminável debate quanto à assertiva daqueles que lutaram durante mais de cem anos pela divisão do Mato Grosso. Se, depois de trinta e dois anos de existência o Mato Grosso do Sul ainda é uma incógnita para o Brasil, principalmente para um considerável número de comunicadores, que insistem na confusão das fronteiras dos dois Estados e suas respectivas capitais, talvez seja o caso de se embalar o Estado que nasceu para ser modelo mas que continua patinando em equívocos políticos e administrativos, devolvendo-o à cuiabania com os devidos pedidos de desculpas.
A briga entre Campo Grande e Cuiabá se acirrou na década de 1970 quando o presidente Ernesto Geisel decidiu criar o Mato Grosso do Sul. Foi um deus nos acuda na capital mato-grossense, com todo tipo de retaliação aos habitantes do sul do Estado, campo-grandenses, principalmente, que passaram a se esgueirar pelas estreitas ruas da velha capital mato-grossense para não terem seus automóveis apedrejados.
Além dos argumentos de segurança nacional alegados pelo regime militar, dadas as dimensões continentais do Estado, a divisão aconteceu pela alegação de que o sul trabalhava para sustentar o norte, por causa da oligarquia cuiabana. Comprovou-se depois que a coisa não era bem assim, pois o Mato Grosso, ao perder um naco de seu território, com o orgulho ferido, foi à forra, aproveitando-se inicialmente dos investimentos federais para lá destinados como forma de indenização, mas ao longo desse período se consolidando como o maior produtor de grãos do Brasil e mandando para casa as velhas raposas políticas, fazendo nascer líderes do porte de Dante de Oliveira e, agora, Blairo Maggi, entre tantos outros.
Aliás, a decisão que levou a Copa do Mundo para Cuiabá foi atribuída à maior habilidade do governador Blairo Maggi, embora não seja difícil deduzir quais tenham sido os reai$ motivo$, já que a Fifa é, acima de tudo, um grande balcão de negócios desportivos. Pode ser também que o órgão máximo do futebol mundial tenha se confundido, ficando sem saber exatamente qual o Estado do Pantanal, já que este era um dos requisitos para a escolha de uma das subsedes, não devendo ter sido levadas em consideração as bobagens que o governador André Puccinelli, pra variar, andou dizendo, como essa coisa de tapetão, etc. e tal.
Assim, para minimizar a angústia dos mato-grossenses do sul e também de alguns legítimos mato-grossenses que optaram pelo novo Estado e passaram a se orgulhar dele, como o médico Jajah Nogueira, um eterno inconformado com toda essa lambança que fazem com os nomes dos dois Estados ou para aplacar novos sentimentos divisionistas, como o do ex-prefeito Braz Melo, que defende a criação do Estado da Grande Dourados, que se volte tudo à estaca zero. E que Campo Grande aproveite os milionários investimentos que o governo do Estado havia anunciado para fazer jus aos jogos da Copa do Mundo, voltando a ser subsede da capital do Mato Grosso reunificado, já que André Puccinelli continua agindo como prefeito da cidade morena, deixando o interior do Estado à mercê das obras do governo federal.
Quem sabe assim Dourados volte a ser olhada com o devido respeito, como nos tempos em que o “cuiabano” governador Garcia Neto comprava brigas como a do curso de agronomia que o reitor João Pereira da Rosa insistia levar para Campo Grande. Quem sabe assim Dourados volte a ter mais segurança. Quem sabe assim saia, enfim, o tão sonhado Anel Viário. Quem sabe assim, professor Biasotto, volte a fazer sentido a letra da música “seriema do Mato Grosso”.
