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PT, uma arena em dose dupla

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14/06/2009 – 09:06

Mestre Aurélio Buarque de Holanda define o substantivo feminino arena como área central, coberta de areia, nos antigos circos romanos, onde combatiam os gladiadores e as feras. Até aí tudo a ver com o PT, o Partido dos Trabalhadores, trabalhadores ilustres como o torneiro mecânico Lula da Silva, que virou presidente do Brasil, como o sindicalista bancário José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca, que incorporou a sigla partidária ao próprio nome, assim virando deputado, depois governador de Mato Grosso do Sul e agora militando num outro sindicato, o dos pecuaristas, ou como o dono de boates Raufi Marques, hoje importante executivo operando no eixo Rio-São Paulo-Assunção. Mas daí a se assemelhar com outra arena, aquela grafada toda em maiúsculas e tida como símbolo maior dos tempos da ditadura militar, já é demais para a cabeça da companheirada.

Pois é assim, como a ARENA, de Aliança Renovadora Nacional, que se apresenta hoje o partido que nasceu justamente para combater a “Revolução” de março de 1964. No Mato Grosso do Sul, principalmente, a confusão nunca foi tão grande, com o confronto interno entre o ex-governador Zeca do PT e o senador que não tem nada de PT, Delcídio do Amaral. A briga pelo comando regional petista “está destruindo o partido” como bem escreve o jornalista Adilson Trindade na edição de hoje do Correio do Estado. Adilson só não escreveu que destruição maior seria o PT se entregar ao governador André Puccinelli, como quer o grupo de Delcídio, para tentar impedir o retorno de Zeca e da companheirada ao poder já em 2010. Mas é bastante oportuna e serve de alerta e reflexão a declaração do próprio Delcídio, na mesma reportagem, de que “está entre o satanás e o diabo”, já que não confia em Zeca muito menos em André. E olha que a briga de agora é pela ocupação de espaços em 2014, nem se sabendo ainda o que pode acontecer em 2010, com 2012 no meio.

Mas este é o PT. Sempre brigando internamente, mas sempre crescendo, no todo. E é na força dessas correntes internas que o partido fica ainda mais parecido com a velha ARENA, nos tempos em que os partidos podiam concorrer com até três sublegendas, com a diferença de que no PT são mais de três correntes se digladiando. E como se não a bastasse luta fratricida, o partido amplia cada vez mais seu leque de alianças, formais e informais, o que deixa as alas mais à esquerda em polvorosa.

Em Dourados, onde sempre se orgulhou de suas posições dogmáticas e programáticas, o PT está cada vez mais pragmático. E deu exemplo claro disso nas últimas eleições municipais, quando o ex-governador Zeca do PT, em vez de vir aqui pedir votos para o companheiro Wilson Biasotto mandou sua turma trabalhar para o adversário Ari Valdecir, abrigado no PDT. E, mais, atuando em sintonia fina com o PR, o Partido da República, aqui, de Londres Machado. Para completar, agora, o mesmo Zeca do PT flerta com Murilo Zauith, o vice-governador do Democratas, prometendo apoiá-lo na disputa para o Senado.

Se toda essa lambança partidária resultar, lá na frente, no retorno do partido ao poder, tudo bem, tudo se acerta, e o PT continua sendo o PT velho de guerra, o maior partido do Ocidente, como um dia foi a Arena. Mas se do confronto programado para novembro, com a eleição interna, sair vencedor o grupo de Delcídio Amaral, o que facilitaria a adesão ao PMDB do governador André Puccinelli, para as eleições do ano que vem, aí sim será a destruição total, como prognosticou o analista político Adilson Trindade, não restando alternativa a titio Zeca, a não ser arrumar outro sobrenome ou cuidar de seus boizinhos no Pantanal.

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