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sexta-feira, julho 3, 2026

O Apartheid das redações

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18/06/2009 – 11:06

 * Fábio Dorta

A polêmica sobre a exigência legal do diploma para o exercício da função de jornalista criou em Dourados um perigoso e desnecessário clima de apartheid nas redações e na própria convivência entre jornalistas diplomados e os que atuam na área sem terem concluído o curso superior de Comunicação Social.

Existem excessos perigosos dos dois lados do balcão. Os chamados radicais de plantão, que não colaboram de nenhuma forma para uma convivência harmoniosa entre os colegas de profissão. De um lado aqueles que acreditam piamente que apenas os diplomados podem exercer a profissão. Do outro, os que desdenham da formação acadêmica.

Fico muito a vontade para tocar neste assunto. Entendo que a formação acadêmica pode ajudar em muito no exercício da profissão. Não fosse desta forma, não teria feito o curso. E não penso isso sozinho. Muitos outros colegas que há uma, duas décadas atuam na profissão, também decidiram cursar a faculdade.

Gente de gabarito como o Antonio Marcos da TV Morena (hoje professor), o impagável e competente Osvaldo Duarte da Grande FM, o meu compadre multimídia o Antonio Coca e muitos outros. Mas, daí a desqualificar os profissionais que não têm diploma, vai uma distância muito grande.

Aqueles que ainda nem saíram dos “cueiros” precisam respeitar quem construiu ao longo de décadas a imprensa douradense. Não fosse a dedicação, o esmero, a responsabilidade destas pessoas, os novos jornalistas com certeza, não teriam nem onde trabalhar, ou com quem aprender. Deixam o banco escolar ao meio-dia e à meia-noite, já pensam que são jornalistas.

Preocupa-me a desnecessária agressividade verificada nos últimos meses, quando chegava perto a decisão dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a obrigatoriedade (que caiu) do diploma para o exercício da profissão. De repente parece que os jornalistas sem diploma são simplesmente bandidos e estão a serviço dos poderosos senhores donos dos veículos de comunicação.

A nota de repúdio então, feita pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais da Região da Grande Dourados (Sinjorgran) Foi de uma arrogância impensável. Talvez o sindicato, do qual faço parte e pago religiosamente minha mensalidade, tenha se esquecido que fomos nós, os  “sem diploma”, que construímos o sindicato.

Esse tipo de atitude só acirra uma rivalidade idiota, entre aqueles que pensam que o diploma ensina a escrever e os que, não reconhecem a capacidade e a competência de muitos dos formados. Somos todos jornalistas. Sempre foi assim e assim deve continuar sendo. Quem opta pelo banco escolar precisa ser respeitado. Mas quem está no mercado de trabalho precisa ser respeitado. A respeitar também. Encerro utilizando o título de um artigo que escrevi há três ou quatro anos:  “O deproma num diminói as oreia”.

  • o autor é jornalista

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