22/07/2009 – 19:07
O jovem empresário Eduardo Uemura (foto), o Dudu, que a cada nova gravação deixada vazar pela Polícia Federal se revela como verdadeira eminência parda da prefeitura de Dourados, era a grande aposta política da família Uemura. O projeto, com a eleição de Ari Valdecir para a prefeitura de Dourados, era fazê-lo deputado estadual, muito provavelmente já nas próximas eleições.
Os Uemuras sempre foram enfronhados na política. O chefe do clã, Sizuo, foi vereador na década de 1970 e candidato a vice-prefeito na chapa encabeçada por Ivo Cersósimo, nas eleições de 1976. A matriarca Helena Uemura, presença constante em eventos filantrópicos, sempre foi cortejada por políticos e até sondada como candidata a vice-prefeita de vários deles. As empresas do grupo Uemura sempre estiveram de portas abertas, em épocas eleitorais, para os tradicionais cafezinhos, com todos os candidatos. Um exemplo desse prestígio foi a festa de posse do prefeito Braz Melo, no réveillon de 1988, na mansão dos Uemuras.
Não é diferente com Ari Valdecir. Seu projeto assistencialista sempre foi sustentado pelo grupo Uemura. O intermediário entre o grupo político do prefeito e grupo empresarial dos Uemuras era o ex-vereador e até antes da operação Owari assessor especial e fiel escudeiro de Valdecir, Jorginho Dauzacker.
Com a eleição de Valdecir, Dudu Uemura começou a agir nos bastidores. Teve participação ativa na formação do secretariado, como na surpreendente escolha de Inês Boschetti para a Secretaria da Fazenda, uma vez que era ligada politicamente a Murilo Zauith. A mesma coisa com Sandro Barbara, o secretário de Saúde flagrado pela Owari a ele pedindo dinheiro, depois que assumiu a pasta “segurada” por Edvaldo Moreira até que se “desincompatibilizasse” do Democratas e da direção do Diário MS, o jornal porta-voz do grupo Uemura.
Desenvolto, simpático e tido como empreendedor pelo upgrade que deu nas empresas do grupo, Eduardo Uemura não marcava hora para falar com o prefeito Valdecir. Ia tomar café com ele em casa, isto quando não viajavam juntos. Dava cartas e jogava de mão. Não só com Valdecir, como também com outros prefeitos e demais escalões de governo, como fica claro nas conversas gravadas pela polícia com a direção da Caixa Econômica Federal, intermediando negócios milionários para a prefeitura e para a Câmara Municipal ou demonstrando todo seu desprendimento ao não regatear um carrinho a mais para a campanha eleitoral de Flávio Kayatt, em Ponta Porã.
