25/07/2009 – 17:07
Foto: Divulgação
O prefeito Valdecir e o governador Puccinelli, esta semana, em Dourados.
A matéria de primeira página do Correio do Estado deste sábado, informando que em caso de cassação do mandato de Ari Valdecir poderia assumir o segundo colocado nas eleições passadas, neste caso o candidato democrata Murilo Zauith, só reforça a teoria de conspiração que estaria por trás da operação Owari, mandada difundir pelo prefeito douradense. Não dá ainda para se ter uma ideia sobre onde vão desembocar as investigações da Polícia Federal, que desmantelou uma quadrilha que agia na prefeitura de Dourados e que levou para a cadeia a espinha dorsal da atual administração, vereadores e empresários, mas só em caso de constatação de crime eleitoral, com a anulação dos votos de Valdecir, é que Zauith assumiria. Se as investigações avançarem pela atual administração, comprovando-se as irregularidades até aqui apontadas, com a incriminação do prefeito e seu vice, haveria a convocação de uma nova eleição, independentemente do processo político de cassação a que ele está sujeito, na Câmara de Vereadores, hipótese das mais remotas, diante das atuais circunstâncias.
Enquanto isso, Valdecir faz o seguinte raciocínio, que é reverberado de forma bastante eficaz por seus assessores e seguidores: a quem interessa a cassação de seu mandato? Nem ele nem os que ajudam a fazer eco nesta caixa de ressonância falam em nomes, apenas induzem os interlocutores a pensar. Diante da resposta, óbvia, passam a detalhar o plano: depois da denúncia anônima ao juiz federal Odilon de Oliveira, que originou a operação Owari, as investigações tiveram várias ramificações, algumas delas caindo na esfera do Ministério Público e da polícia estadual. E a quem esses organismos são, em tese, vinculados? Mesmo no caso da Polícia Federal, que teria feito as interceptações telefônicas, haveria vício na condução do processo, segundo a teoria da conspiração desenvolvida por Valdecir, pelo simples fato de que o atual Secretário de Segurança Pública, Vantuir Jacini, é oriundo desta força e, portanto, com bom trânsito e influência, principalmente entre os policiais que vieram de Brasília para atuar no caso.
Para completar, Valdecir prevê que será vítima de uma grande chantagem, mais adiante, caso não tenha o mandato cassado nos próximos meses. Por ter plena consciência de tudo o que falou ao celular nos últimos dois anos, sabe muito bem que as conversas vazadas à imprensa até agora são apenas um refresco, ou, um aviso, e que o pior está muito bem guardado, para ser revelado no momento oportuno. E guardado com quem? Elementar, meu caro Watson, diria o grande Sherlock Holmes.
Leia “O amaldiçoado fruto da corrupção”, http://www.valfridosilva.com/artigos.php
