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O amaldiçoado fruto da corrupção

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27/07/2009 – 03:07

Meu amigo e presidente da 4ª. Subseção da OAB, Sérgio Henrique Araújo, criticou meus escritos, outro dia, dizendo que precisa ser mais contemporâneo. Tudo bem, mas sou obrigado a voltar no tempo, de novo, para melhor explanar sobre corrupção, um tema mais que atual, não só em Dourados, em tempos de Owari, como no Brasil, cujos partidários do governo carregam dólares na cueca, ou no mundo, com esse mal se alastrando como pandemia mais devastadora que a AIDS e, agora, a gripe suína.

Não faz muito tempo, rodando pela cidade com um amigo deputado, ao passarmos pela rua João Cândido Câmara, ele apontou para uma velha casa de tábuas, onde hoje está um moderno consultório odontológico, e fez um comentário jocoso quanto à visão política do ilustre filho da antiga moradora do local. “Veja aí o exemplo de empreendedorismo do homem que se diz o grande líder político de Dourados; você precisa fotografar isso e colocar na imprensa”. A crítica era ao ex-prefeito João da Câmara, ainda hoje morador alguns metros à frente, numa casinha também simples, construída ao final de seu último mandato como deputado federal. Até então, enquanto vereador e prefeito, Totó Câmara morava naquela casinha de tábuas, em companhia de sua mãe, dona Rosa Câmara. Depois de passar pela Secretaria de Agricultura no governo Wilson Martins e pelo Tribunal de Contas, veio a história dos tais dólares roubados de um cofre em sua casa. O fato só foi explorado politicamente por ter se dado à época de sua candidatura a vice-prefeito de Murilo Zauith, mas nada que pudesse manchar sua biografia.

Totó Câmara foi substituído na prefeitura por José Elias Moreira que, antes de inaugurar uma nova era na administração pública municipal, com know-how de quem havia implantado três conjuntos habitacionais em Dourados (BNH’s I, II e III), através da Planoeste, construiu sua própria casa, financiada pela CEF. Mesmo assim, foi vítima de adversários que, depois de sua posse, colocaram lá uma placa com os dizeres “aqui o seu imposto”. Uma maledicência mais tarde assumida pelo então vereador Roberto Djalma Barros. Zé Elias foi o prefeito que mais fez obras na história da cidade. Antes de sair da prefeitura conseguiu com apoio político do então governador Pedro Pedrossian, a concessão de uma emissora de rádio e outra de TV, em Dourados; depois, já como deputado federal, mais uma rádio e mais uma TV, em Campo Grande. Até aí tudo normal, dentro das regras do jogo político. Sobrou só a Rádio Caiuás; o resto teve que vender e até hoje ele vive às voltas com problemas financeiros, morando na mesma casa.

Zé Elias passou o bastão na prefeitura a seu pupilo Luiz Antonio Gonçalves, de quem se falou de tudo, por sua frustrada tentativa de incentivar o irmão a montar uma fábrica de macarrão no Distrito Industrial. Abandonou a política e morreu pobre, depois de passar pela reitoria da Universidade Estadual.

Veio Braz Melo. Já no primeiro mandato, dizia-se ser um dos políticos mais bem sucedidos de Dourados, só pelo fato de morar no Portal de Dourados, numa casa que adquiriu como engenheiro da Sanesul. No segundo mandato, Braz já era, segundo as más línguas, um forte industrial, dono de mundos e fundos, de concessionária de automóveis a hotéis, com contas milionárias no exterior. Até hoje mora de favor, com o genro, numa casa construída antes, também, de assumir o primeiro mandato de prefeito. Para sobreviver conseguiu, recentemente, um emprego como assessor do deputado Geraldo Resende.

Entre os dois mandatos de Braz Melo, Humberto Teixeira entrou e saiu da prefeitura reclamando das dívidas, com a diferença de que antes era proprietário rural, hoje é arrendatário.

O professor aposentado Laerte Tetila ficou oito anos seguidos na prefeitura. Priorizou o social, mas notabilizando-se, também, como grande tocador de obras. A aura de honestidade que carregou até o fim do mandato pode ter ido o beleléu com o escândalo da operação Owari, em que seu filho foi acusado de tráfico de influência.

Nesse entra e sai de prefeitos muito se falou em desvio de recursos públicos, principalmente nos últimos tempos, sendo mais notórios os casos do sumiço de verbas federais vindas para o HU e para a Perimetral Norte. Nenhuma apuração mais profunda. Nenhum culpado. Mas a julgar pela vida que levam os ex-gestores, tudo pode não ter passado de lenda, como gosta de dizer o atual prefeito, o Valdecir, que nem bem assumiu e já está encalacrado num dos maiores escândalos da história. Agora, se a operação Owari mostrar que não tem nada de lenda nisso tudo, os que se salvarem, se é que se salva alguém, que reflitam sobre aquela historinha antiga do tal fruto proibido, antes que sejam expulsos do Paraíso.

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