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Batom na cueca e ponto final

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29/07/2009 – 12:07

De todas as conversas telefônicas envolvendo os acusados da operação Owari vazadas até agora, talvez a mais comprometedora para Ari Valdecir seja a que foi publicada esta semana pelo site Midiamax, de Campo Grande. É o que se pode chamar de “batom na cueca” – num tempo em que esta vestimenta íntima masculina se transformou em opção de transporte do dinheiro da corrupção – pela intimidade demonstrada pelo prefeito com sua interlocutora, a assessora especialíssima, Márcia Fagundes (foto), presa pela Polícia Federal por envolvimento com a quadrilha.

Ao contrário do que insiste em reafirmar, neste diálogo, o prefeito “entrega o ouro” e dá a entender que sabe do grampo em seu telefone celular. Aliás, desde a campanha eleitoral Valdecir sempre desconfiou do monitoramento de suas conversas, tanto que usava vários celulares e, dependendo do assunto, preferia usar aparelhos de terceiros.

A “descompostura” que passa em Márcia Fagundes, nesta conversa, ao contrário da leitura que alguns possam fazer, é uma forma de se prevenir, um álibi. Ou alguém, em sã consciência, acredita que o prefeito realmente não queira nada com os Uemuras, já que na mesma conversa confessa ter deles recebido ajuda?

“Márcia, nós temos que dar uma distanciada, entendeu?”, diz o prefeito, demonstrando “preocupação” e deixando uma interrogação, ao se referir aos seus patrocinadores de campanha. Ora, se tem que se distanciar é porque está perto demais, não é mesmo, excelência? E, depois, uma contradição, quando diz à assessora que não quer amizade “com aquele povo (Uemuras) lá”, mas reafirmando que “semos (sic) muito amigos deles, temos que dar tudo o que eles pedir”.

Depois de usar um palavreado pouco convencional entre um executivo e uma assessora, Valdecir avança nas intimidades, deixando escapar uma pontinha de ciúmes: “procuro separar as coisas, mas vocês são diferente, vão jantar, dormir, daqui a pouco vão até dormir juntos”. Também se revela enciumado com as relações de seu braço direito, Darci Caldo, com os Uemuras: “O Darci parece que vai casar com os caras”. E estava certo o Valdecir, pois, se Caldo não casou, pelo menos deve ter recebido o dote da família pretendente, já que foi flagrado com R$ 230 mil no dia de sua prisão. Será mesmo que o Valdecir, tão centralizador, não sabia de nada?

E a parte mais comprometedora do diálogo: Valdecir, “alertando” sobre o perigo das relações com a família Uemura: “Só que tem tudo a ver”. Marcia: “Eu?”. Valdecir: “Eu, você, o Jorginho (Dauzacker)”. Batom na cueca, sim. E ponto final.

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