14.8 C
Dourados
sexta-feira, julho 3, 2026

A “felomenal” administração Artuzi

- Publicidade -

03/08/2009 – 07:08

Como meu artigo não foi publicado nesta segunda-feira, em O Progresso, como vinha acontecendo regularmente há mais de dez anos, e como a direção do jornal sequer informou as razões da censura, publico-o aqui, na íntegra, para que o internauta tire suas conclusões. E dou o assunto por encerrado, apenas convidando meus fiéis leitores do jornalismo impresso para que migrem, também, para o blog. Eis o artigo:

Não bastasse o fenômeno eleitoral que se afigurou a partir de sua segunda eleição para a Assembléia Legislativa, consagrado como o deputado mais votado da história da terra de seu Marcelino, agora prefeito Ari Artuzi também se apresenta como fenômeno administrativo, a julgar pelo material publicitário exaustivamente exibido na mídia nos últimos dias, principalmente na TV. Por coincidência, essa nova condição aflorou após a deflagração das operações Owari e Brothers, da Polícia Federal, que colocou na cadeia a espinha dorsal de seu secretariado, por envolvimento com grupos empresariais que havia anos solapavam os cofres públicos.

Fenômenos, diga-se, do jeito que vêm costumam ir, sempre de forma meteórica. Em se tratando de fenômenos políticos, o mais recente deles – Fernando Collor de Melo – foi apeado do Palácio do Planalto depois que os caras-pintadas foram pra rua pressionar o Congresso Nacional ao qual ele havia dado uma banana, preferindo acobertar as maracutaias de PC Farias. Um pouco mais atrás a história registra a escalada fenomenal de um ilustre sul-mato-grossense – Jânio da Silva Quadros – que depois de um pileque renunciou ao mesmo Planalto, acreditando que voltaria nos braços do povo. Ledo engano. E olha que Jânio fez o que fez tendo como símbolo de campanha uma vassoura, com a qual varreria a corrupção da política brasileira, o que inspirou um jingle antológico.

Artuzi não é o primeiro fenômeno da política douradense. Antes dele, Braz Melo causava verdadeira comoção popular por onde passava. O arquiteto Cesar Lutti, um entendido em política, diz sempre que tinha receio de ficar sozinho por mais de cinco minutos com ex-prefeito, com medo de ser cooptado, tamanho era o poder de persuasão do mineirinho de Aimorés. Mesmo assim, Braz só voltou à prefeitura, para um segundo mandato, porque o governador Wilson Martins queria se livrar dele no Parque dos Poderes. Hoje é assessor do deputado Geraldo Resende.

É bom não confundir fenômenos políticos passageiros com lideranças políticas perenes, dessas que passam à história por seus legados baseados em grandes ideais, como um Getúlio Vargas e suas conquistas trabalhistas e estruturais; o controvertido Juscelino Kubitschek de Oliveira e seu projeto desenvolvimentista ou Fernando Henrique Cardoso e sua política econômica neoliberal que serviu de base para a consolidação do governo populista de Luiz Ignácio Lula da Silva.

Se todos aqueles alfinetinhos fincados no mapa de Dourados traduzem com fidelidade as realizações de Artuzi, ainda mais diante da observação de “várias frentes de trabalho e serviços que a prefeitura oferece diariamente à população, como assistência médica, educação, troca de lâmpadas, limpeza nos bairros e Distritos não estão relacionados no mapa”, se nada daquilo é obra deixada em andamento por Tetila, aí, sim, não apenas Dourados, como o Mato Grosso do Sul estarão diante de um fenômeno administrativo jamais visto.

Agora, se a agência que produz o material publicitário da prefeitura, por sinal, a mesma que fazia este serviço a Tetila, estiver apenas forçando a barra para desviar as atenções das operações Owari e Brothers, aí seria o caso de afirmar que o já folclórico Ari Artuzi fica cada mais vez parecido com o impagável ex-bicheiro Giovanni Improtta, personagem de José Wilker na novela “Senhora do Destino”, para quem tudo é “felomenal”. Um deboche, como já havia escrito esta semana.

Neste caso, Ari Valdecir Artuzi deve rever conceitos, aproveitar a onda e o “limpa” que foi obrigado a fazer no secretariado para se cercar de gente competente, deixando a corriola de lado, já que, como diria Giovanni Improtta, “o tempo ruge’. E, antes que os mesmos caras-pintadas que derrubaram Collor de Melo ganhem a Marcelino Pires, que deixe as bravatas de lado e comece, efetivamente, a governar, embora, até para alguns de seus mais íntimos colaboradores não reste mais nada a fazer. Ou, ainda parafraseando Giovanni Improtta: “Se acabou-se”.

- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -

Últimas Notícias

Últimas Notícias

- Publicidade-