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sexta-feira, julho 3, 2026

Segredo de justiça de Polichinelo

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11/09/2009 – 11:09

Foto:Alessandra Carvalho/Midiamax

Procurador-chefe, Miguel Vieira e os procuradores Ana Cláudia Almirão, Paulo Zeni e Cristiane Amaral.

“Estou com saudade dos tempos da gonorréia e da ditadura”. A frase é de um dos indiciados na operação Owari cujo nome não foi ainda noticiado pela imprensa, a propósito do “circo”, segundo ele, armado ontem pela procuradoria-geral de Justiça do Estado para anunciar “oficialmente” o que todo mundo já sabia: os nomes dos 13 primeiros indiciados pelo Ministério Público Estadual.

Mesmo tendo sua sede no Parque dos Poderes, não deixa de ser intrigante que tal anúncio não tenha sido feito em Dourados, já que é aqui que toda a trama foi desvendada. Será que o nobre procurador-chefe Miguel Vieira da Silva não poderia se dignar a fazer uma visitinha ao vistoso prédio José Cerveira, aproveitando seu o chique auditório para a coletiva? Depois não venha reclamar por que o Diário MS, por exemplo, não deu sequer uma linha sobre mais esta fase da investigação e também por que O Progresso tratou o assunto com tanta discrição em sua edição de hoje.

A verdade é que depois de tanta expectativa por tudo o que fez a Polícia Federal e pela frustração pelo que se sucedeu no nível do Judiciário Estadual, esperava-se que muito mais já tivesse acontecido. E começam a ser lembrados casos não menos ruidosos, como os da Campina Verde. Tanto estardalhaço, para nada. E as operações continuam a todo vapor, tanto naquele como neste caso.

O mais grave, agora, é que a tímida tomada de posição da Procuradoria-Geral do Estado vem seguida de informações de bastidores e até da mídia online, como o twitter de Antonio João Hugo Rodrigues, um dos mais conceituados jornalistas do Estado, de que estaria em curso uma grande operação chantagista, tendo o prefeito Ari Valdecir Artuzi como o principal alvo. Mais ou menos coisa do tipo: digas com quem vais andar (na eleição do ano que vem) que divulgo o restante do teor das fitas. Esta, uma referência ao conteúdo de gravações inéditas do Serviço Reservado da Polícia Militar (P2), que teriam causado urticárias no alcaide douradense.

Nos tempos da gonorréia, lembra o indiciado Owari que prefere continuar beneficiado pelo segredo de justiça, “era só abaixar as calças e tomar uma bezetacil nas nádegas; hoje a AIDS mata”. “E a ditadura”, diz, em tom de irônica nostalgia “só colocava no pau-de-arara bandido comprovadamente bandido”.

 

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