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sexta-feira, julho 3, 2026

A política dividindo o palco com as letras

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19/09/2009 – 11:09

Foto: Anita Tetslaff

Wilson Valentin Biasotto, no palco dos imortais douradenses.

Um ex-caminhoneiro, um narrador de rodeios acostumado a montar touro bravo, uma cabeleireira; todos, escrevendo, escrevendo e escrevendo, como escreveu, para também fazer jus ao fardão da Academia Douradense de Letras o professor, ex-vereador, ex-secretário de governo de Tetila e ex-futuro prefeito Wilson Valentin Biasotto. São nove os novos imortais douradenses, entre eles, além de Biasotto, Waldir Guerra, o que mostra que a árvore da política não dá só frutos podres.

O espetáculo em que a política se misturou às letras no palco do Teatro Municipal de Dourados foi ímpar, sob o olhar atento de mestre José Pereira Lins, também de fardão, na fila do gargarejo, sempre escoltado por Nicanor Coelho, o idealizador da Academia, também craque na arte de escrever e de editar livros.

O enredo da noite desta sexta-feira comemorativa da maioridade da ADL, da lavra de Wilson Biasotto, perpassou as obras dos neófitos, como foi dito pela cerimonialista Bete Balanço, arrancando emoção e gargalhadas, dependendo do perfil de cada escritor. E colocou Biasotto numa baita saia justa, já que ele não teve como fugir ao humor refinado de José Vasconcelos que, como nos bons tempos de seu Juca Paulista deitou e rolou no texto em que espinafrou um genuíno petista carregador de dólares na cueca.

Da emoção da história da cabeleireira Maria Aparecida Fontes, que resolveu deixar as “marcas” de sua experiência de voluntária junto à comunidade num livro de poesia, para falar do amor ao próximo, ao realismo do caminhoneiro hoje solicitado escritor de biografias e sempre antenado jornalista Luiz Carlos Luciano, passando pela saga do narrador de rodeios e domador de touro bravo, Marcelo Mourão, que não domou a emoção ao ver se aproximando a imortalidade, até o ápice de uma noite, que não poderia ser diferente, com a história do maior dos contadores de estórias de Dourados – o meu parente Liberato Leite de Farias, Laquicho, cujo legado foi imortalizado pelo próprio Biasotto.

Exigente no escrever e profundo conhecedor da história Biasotto chegou a causar constrangimento a alguns, digamos, “imorríveis”, também entre os de fardões da primeira fila pouco afeitos às letras, ao sentenciar aos empossados: “mostre-me o que escreves e te direi quem és”. Até aqui o Laquicho foi bem. 

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