16/10/2009 – 10:10
Foto: Anita Tetslaff
As três colunas políticas dos jornais diários de Dourados trazem hoje a chorumela do prefeito Ari Valdecir quanto a “ajuda” das bancadas no Congresso Nacional, como se Dourados fosse um daqueles mendigos que fazem plantão na Esplanada dos Ministérios. “O certo é que quem ajuda Dourados são os deputados federais do PT e do PDT”. Palavras do Valdecir transcritas pelo cururu Cícero Faria.
Antes de tentar diminuir o trabalho deste ou daquele parlamentar, por menor que seja esta “ajuda”, o homem que virou fenômeno eleitoral inovando na forma de conjugação do verbo “ajudar” deveria mudar o diapasão que já está enchendo o saco e pôr na balança tudo o que Dourados recebe, inclusive em comparativos com outras regiões. E, assim, independentemente da justeza ou não dessas ações, redobrar esforços, deixando as picuinhas de lado, para que o município por ele administrado não perca o portentoso título de capital econômica do Mato Grosso do Sul.
Claro que as notinhas das três colunas foram plantadas pelo próprio Valdecir, com objetivo de espezinhar aquele que elegeu como seu principal alvo – o deputado Geraldo Resende -, talvez para desviar a atenção da opinião pública de coisas mais graves, como, por exemplo, as operações Owari e Brother, cujo desdobramento pode levar de roldão alguns de seus principais auxiliares, senão ele próprio. E olha que Resende garante ter conseguido mais de R$ 200 milhões para Dourados nesse tempo em que está em Brasília.
Pode ser também que todo esse endeusamento dos deputados do PT, do PDT, mais o senador Delcídio do Amaral, seja uma forma de antecipar os juros pelo que deles Valdecir recebeu na campanha eleitoral passada, já que o principal da dívida teve o prazo de vencimento alongado para meados do ano que vem.
Além do mais, Valdecir precisa afinar o discurso com seus secretários, já que essa ajuda milionária de seus parceiros do PT e do PDT não está sendo suficiente para dar cabo a demandas básicas, como o conserto dos buracos no asfalto e o suprimento de material nas unidades de saúde, sem falar nas filas que só aumentam. Esta semana, Bussuan, o das obras, disse que a prefeitura tem que ir remediando na operação tapa-buracos, pois não tem dinheiro para fazer um recapeamento amplo geral e irrestrito, como a cidade precisa. Mário Silva, o da saúde, descobriu que sem um reforço orçamentário do governo do Estado a prefeitura não cumpre as promessas do prefeito para o setor. E dê-lhe cacete no governador André Puccinelli, né, seu Valdecir!
Por essas e outras é que a fotografia do Pinóquio continua a circular por aí, até nos desfiles cívicos, como aconteceu no último 7 de setembro.
