15/11/2009 – 23:11
Foto: Anita Tetslaff
Enquanto aguardava a chegada do senador Valter Pereira à sede da OAB para uma entrevista, no início da noite de sexta-feira, refugiei-me, em companhia de Anita, na sala do presidente Sérgio Henrique Araújo, para fugir do calor. Como o tempo passava e o senador não chegava, saí para checar se ele não havia passado direto para o auditório, onde faria palestra em companhia do deputado Pedro Teruel. Ao retornar encontro Anita recostada no sofá, absorta diante da galeria de foto dos ex-presidentes, com um comentário na ponta da língua que pode dar a dimensão do momento vivido pela entidade que congrega a classe advocatícia do Mato Grosso do Sul: “estava aqui olhando para essas fotos e tive a sensação de que eles (os ex-presidentes) estavam querendo me dizer alguma coisa”. Como a maioria é de advogados experientes, que deixaram um grande legado à entidade, não seria difícil deduzir a mensagem: avise essa meninada aí para não desvirtuarem nossa Ordem.
Com certeza. Se não em uníssono, pelo que conheço da maioria deles, pelo menos dois dos que partiram para advogar nos tribunais celestes deviam estar querendo transmitir algo parecido à fotógrafa oficial da 4ª. Subseção: Ayrthon Barbosa Ferreira, o fundador da entidade e Harrison de Figueiredo. Preocupação maior talvez do “dr. Petiscão”, por sua aversão à lide política, mesmo que corporativa. Já o “dr. Jibóia” (não me atreveria chamá-lo assim se ainda estivesse entre nós), mesmo com mais jogo de cintura, por sua condição de político nato, não estaria aprovando a forma como alguns dos candidatos às eleições de hoje se conduziram. Certamente distribuiria bons puxões de orelha dos dois lados.
Mas a verdade é que a eleição desta segunda-feira, na OAB, independentemente do resultado, consolida uma nova geração de advogados à frente dos destinos da entidade: Ary Raghiat e Leonardo Duarte, disputando a sucessão de Fábio Trad, na Seccional; Cesar Rasslan e Idiran Catelan (foto) brigando pela cadeira de Sérgio Henrique Araújo, na 4ª. Subseção. Todos, desta nova safra de doutores, professores, enfim, de grandes profissionais do Direito.
Não é pra menos, pois, que o pessoal da velha guarda fique com certa apreensão, mas que logo se verá, é pura bobagem. Nunca a OAB esteve tão atuante e tão presente. A diferença, e talvez isso assuste aos mais conservadores, é que a entidade saiu do intramuros do corporativismo para se somar a outros segmentos na tentativa pôr fim a demandas que, no fundo, no fundo, são a razão da própria existência da OAB. Por exemplo: cuidar dos direitos humanos na base, com programas como o “OAB vai à escola”, com lições de cidadania a crianças e adolescentes, na esperança – por que não? – de que lá na frente possa diminuir o périplo de advogados por presídios superlotados, e assim por diante.
Particularmente para o Mato Grosso do Sul, uma eleição histórica, porque, dependendo do resultado de logo mais, o Estado pode fazer, pela primeira vez, o presidente do Conselheiro Federal – o advogado Vladimir Rossi. Os partidários de Leonardo Duarte alardeiam que não tem nada a ver, mas é claro que ganhando a chapa na qual Rossi figura como Conselheiro Federal, aqui (a encabeçada por Ary Raghiant) ele chega com muito mais moral para conseguir a indicação, quase certa, já, de seus colegas da cúpula nacional. É aquela história, tem que fazer primeiro a lição de casa. Neste caso, todos os ilustres componentes da galeria de ex-presidentes estarão muito mais felizes. Inclusive Afeif Haj!
