01/12/2009 – 09:12
Lula em Dourados, entre e Egon KKK e o amigo Tetila, nos áureos tempos das campanhas petistas.
Antes ele passava por Dourados de teco-teco ou de carro, sempre de carona com companheiros, muitas vezes a caminho de acampamentos de sem-terra. Quando aqui pernoitava, não abria mão de uns goles, oitavado no balcão de um boteco, no Água Boa. E no palanque das muitas campanhas que participou, fazia questão da presença de toda a companheirada. Alguns ficaram amigos, como é o caso do ex-prefeito Tetila, que só chama pelo prenome, de Laerte. A última vez que aqui esteve foi para o penúltimo comício da campanha que o levaria à Presidência da República, em outubro de 2002. Agora, coisa de 15 dias atrás, Luiz Ignácio voltaria, já consagrado com o mais ilustre filho do Brasil. Voltaria, não mais de carona, mas a bordo de seu portentoso Airbus presidencial, até Campo Grande e, de lá até aqui, certamente num dos mais seguros helicópteros da FAB. Voltaria, não para ver se os acampamentos dos sem-terra viraram cidades, mas para inaugurar uma Usina de açúcar e de álcool do amigo José Carlos Bumlai.
Mas, afinal, por quê Lula não veio, frustrando a companheirada, se até o buffet já estava contratado para a grande festança? Não veio porque não é besta. Consta que a inteligência do Palácio do Planalto teria detectado ruídos de que já chegou por aqui o zunzunzum de que suas relações com os Bumlai vão muito além da amizade consolidada a partir dos cortes especiais de gado rastreado que abastecem a churrasqueira da Granja do Torto. Para evitar notícias como a que saiu na Veja desta semana, dando conta da fanfarronada de parentes do presidente com empresários interessados em negócios com o governo, o mais prudente foi abortar a viagem a Dourados.
Além do mais, Lula sabia que ficaria isolado numa plataforma, em companhia de gente não muito interessante, sem ao menos poder apertar a mão da companheirada, por força do protocolo e das rígidas normas de segurança da Presidência. Já imaginou estar em Dourados, depois de tanto tempo, e não poder desfrutar da companhia do companheiro Laerte? De jeito nenhum!
Agora o deputado Geraldo Resende tenta agendar a visita de Luiz Ignácio para o dia 19 de Abril do ano que vem. Ele viria para inaugurar a primeira Vila Olímpica indígena do Brasil, que está sendo erguida ali no meu Jaguapiru e, claro, aproveitaria para dar uma passadinha pela Usina dos Bumlai. Quem sabe até daria por inaugurada, oficialmente, a UFGD, a grande obra de seu governo implantada em Dourados durante a administração do companheiro Laerte. Aí, sim, ficaria tudo nos conformes. E daria até para quebrar o protocolo para uma paradinha no bar do Tinguá, famoso ponto de encontro dos petistas no grande Água Boa.
