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O mais exemplar dos alunos do velho Vargas

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17/12/2009 – 07:12

Foto: Henrique Mattos

O ex-aluno, agora deputado, Geraldo Resende anuncia a reconstrução do velho “Presidente Vargas”

Havia programado este texto para domingo, numa retrospectiva da semana que, para mim, começou de forma muito especial, durante a solenidade de lançamento das obras de reconstrução do velho colégio estadual Presidente Vargas. Mas como o responsável maior por tudo isto parece afetado pelo tal do bicho carpinteiro e já me ligou e mandou mais de uma pessoa perguntar o que achei do evento (uma forma discreta de me dar uma bronca por nada ter publicado, ainda, a respeito) e, como esta quinta-feira é um dia especial, especialíssimo, aliás, pela formatura de meu filho do meio – o Rodrigo – como médico, pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, aproveito o gancho para escrever sobre o trabalho deste também médico, deputado federal, meu colega de componedor e de bolandeira na Folha de Dourados – Geraldo Resende Pereira.

Antes de seu discurso na cerimônia de apresentação do projeto do “novo Vargas” disse a ele: não vai chorar. Mas ele chorou! E não tinha como. Ali, diante da figura emblemática da professora Neusa Amaral e de colegas de escola mais antigos, como José Paulo Teixeira (da primeira turma de ginasianos), de Odilon Azambuja, de Telê Pompeu, de Emar Rodrigues e tantos outros, Resende lembrou os tempos difíceis em que aportou a Dourados num caminhão pau-de-arara, começando a vida nas ruas, vendendo jornal e picolé, sonhando um dia poder estudar na escola mais respeitada da cidade. E, no Vargas, contou, não ganhou só o saber, mas até roupas, de uma diretora que se compadecia pela forma acanhada como se vestia.

Seu colega de parlamento, o professor Waldemir Moka, coadjuvante no processo de liberação da grana para as obras ali anunciadas, aproveitou o momento de emoção e nostalgia para “resumir” Geraldo Resende e sua forma sempre contundente de fazer política: “Ele é encrenqueiro porque vem de uma família muito humilde, lutou muito para chegar aonde chegou, por isso, quando as coisas demoram acontecer ele briga mesmo, porque tem medo de perder o que conquistou”. Isso explica um monte de coisas. Até mesmo o já famoso tratorzinho.

O velho Vargas se cansou de tantas reformas. Só mesmo uma escola nova para substituir tanta gambiarra. E só o mais exemplar de seus alunos, Geraldo Resende, para reconhecer esta necessidade e, usando suas prerrogativas de deputado, dar um jeito naquele estado de coisas.

Desde a nossa época o prédio já vivia ameaçando desabar sobre nossas cabeças. A situação era tão periclitante que um belo ia eu e Jamaray Santiago trancamos Danilo Marques num banheiro, depois tivemos uma mão- de-obra danada para tirá-lo de lá, pois a fechadura, já enferrujada, havia travado.

Mas eram também os bons tempos em que Loide Gumieiro já soltava a voz animando as festinhas da escola. Bons tempos que começaram com o idealismo do professor Celso Amaral fazendo nascer uma escola no meio da rua, em que os alunos cortavam um doze diante da austeridade da diretora Elda de Melo Rocha ou se esbaldavam com a liberalidade da freira festeira Josephine Cloppenburg. Bons tempos em que se aprendia francês com Irmão Cadoná, matemática com Irmão Blasius ou se fazia Educação Física com Irmão Olívio, todos Maristas. Bons tempos de Sultan Rasslan e de Azael Pompeu, também nas aulas de Educação Física, de Laerte Tetila, de Zé Dedão, de Mário Kumagai, de Zazi Brum, de Maria do Rosário, das irmãs Nilva e Neusa; de David Rosa Barbosa, de Eneida Zocolaro e do queridíssimo professor Chester, já naquela época, sempre alertando que Veneza estava afundando.

Agora, diante da certeza de que um novo Presidente Vargas se erguerá em breve, ali mesmo, ao lado da gloriosa Rádio Clube, não custa sonhar com um texto igual a este, eu já noutra dimensão, dando conta de algum feito de outro exemplo de aluno do velho Vargas, o agora doutor Rodrigo da Silva Melo, esta semana classificado em primeiro lugar nas provas para Residência Médica, em neurologia clínica, no hospital da Universidade Federal de Santa Catarina e na Santa Casa de Porto Alegre. Quando o pai é coruja assim, dá-se o desconto ao jornalista por perder a noção do texto.

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