17.4 C
Dourados
quinta-feira, julho 2, 2026

Territórios Pacificados

- Publicidade -

19/12/2009 – 21:12

Maranhão Viegas

Luciana Rodrigues me escreve. Estava na estrada. E me conta da sensação maravilhosa que é poder escrever enquanto viaja, dentro do carro – graças à tecnologia 3G – me avisa. Sim, de fato, o mundo ficou mais perto de tudo. Ou melhor, não há mais distância que não se alcance.

Lu, relata das estradas da serra gaúcha, a alegria de ter estado no Rio de Janeiro. Ela está percorrendo parte do país na feitura de um Repórter Senado Especial sobre segurança pública. Pareço estar vendo os seus dedos nervosos no teclado contando: “Deu tudo certo no Rio. Pude entrevistar um pessoal muito bacana e a experiência nas favelas foi fantástica, emocionante. Quanta gente inteligente, bonita, atuante”.

Ela relata que esteve apenas em “territórios pacificados” uma terminologia de guerra usada para definir lugares onde a força do tráfico ou diminuiu ou foi controlada. E o encantamento prossegue: “Nesses lugares as pessoas caminham com altivez, dão bom dia e são muito queridas. Posso até estar idealizando, porque afinal eu estava acompanhada por uma equipe com câmeras e tal, mas é interessante porque quando entrei num plano inclinado, uma espécie de bondinho que leva as pessoas do pé do morro até os lugares mais altos, um senhor perguntou à senhora ao meu lado se ela gostaria de sentar-se em seu lugar… Algo que não tenho visto mesmo em ambientes de mais alta classe, em Brasília. Vejo o quanto os estereótipos criados p or nossos meios de comunicação são limitantes e cruéis”.

O carro segue nas curvas da estrada da serra e a Lu não pára. “Em Cidade de Deus, parei no meio da rua para falar com uns adolescentes grafiteiros. Estávamos passando e não havia nenhum tipo de combinação prévia com eles de entrevista nem nada. Tudo absolutamente espontâneo. Você precisa ver a maturidade desses meninos. A forma como falavam e como nos receberam. Estavam grafitando para exercer sua expressão artística (com autorização). Tinham aprendido melhor essa arte com um professor da comunidade, que dava aulas pela ONG Central Única das Favelas. Fiquei feliz, porque não havia nada fake ali, já que foi uma entrevista absolutamente sem combinação. Anima saber que realmente há instituições sérias, efetivamente trabalhando, no dia-a-dia com a população jovem, que é a de mais alto risco e v ulnerabilidade”.

“Bom, tem mais e mais. Estou encantada, mas te conto melhor quando voltar”.

O relato da Lu me faz pensar que o Senado, apesar de tudo, ainda é capaz de produzir coisas boas. E muitas delas passam pela TV. Vou querer saber o dia em que vai ao ar esse Repórter Senado.

 

- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -

Últimas Notícias

Últimas Notícias

- Publicidade-