24/12/2009 – 11:12
Foto: Anita Tetslaff
Pelas pesquisas, o time de César Rasslan Câmara, novo presidente da OAB local, não teria motivos para tanta comemoração.
Para quem observava de longe o trabalho de boca de urna na última eleição da OAB, chamava a atenção a garra e a determinação do advogado Afeif Haj. Um dia antes da votação lá estava ele posicionado, demarcando território, com um ônibus, um jeep e uma pequena barraca, em frente ao prédio da entidade. Começada a votação, não parava um só minuto, distribuindo santinhos, colando cartazes, adesivos, estendendo faixas e dando o comando nas palavras de ordem. Isso, quando não saía para buscar eleitores, como fez com José Alberto Vasconcelos, que, mesmo morando a duzentos metros dali, foi por ele trazido de carro e conduzido pelo braço até a urna, para que não corresse o risco de ser abordado pelos jovens e entusiasmados eleitores da situação, em número bem maior.
Afeif, que mais uma vez vai representar Dourados e o Mato Grosso do Sul no prestigiado Conselho Federal da OAB, é um desses que não acreditam em pesquisas eleitorais. Ao longo de toda a campanha vivia refutando os números que apontavam para uma confortável vantagem de Ary Raghiant Neto – o candidato da situação, apoiado pelo presidente Fábio Trad – e que se refletiriam em Dourados, com a vitória de Idiran Catelan. Deu zebra de novo. E não por coincidência, o Instituto de Pesquisa era o mesmo Televox, que havia um ano dava como certa a vitória de Wilson Biasotto sobre Ari Valdecir na disputa pela prefeitura de Dourados.
Mas por que tanta gente cai do cavalo com as pesquisas de intenção de voto? Uns, porque não levam a sério a natureza do serviço que contratam. O nome diz tudo: pesquisa de intenção de voto, e, todos estão carecas de saber, que reflete o momento em que é feita. Outros, os “espertos”, porque passam à opinião pública números manipulados, uma vã tentativa de induzir o eleitor a votar em quem parece mais forte.
Quando o camarada manipula uma pesquisa para ganhar uma eleição, dá-se o desconto, embora, depois, sempre pague muito caro por isso. Afinal, eleição é sempre uma guerra e em guerra, vale tudo, como diz o deputado pedetista Dagoberto Nogueira, manipulador confesso. Não é o caso daqueles que atropelam os fatos com números, também manipulados, quando o objetivo é apenas redefinir rumos de uma empresa ou de administração. Neste caso, diante da ausência de fatos concretos para refletir a “realidade” desses números, o tiro sempre sai pela culatra.
Quando passei o comando da assessoria de comunicação da prefeitura à competente jornalista Goretti Dal Bosco, na primeira gestão de Braz Melo, sua primeira ação de marketing foi mandar publicar uma pesquisa mostrando a popularidade do prefeito nas alturas. Braz tinha pouco mais de um ano de mandato e já batia na faixa dos 80% de aprovação, índice que Luiz Ignácio suou para conseguir só agora, depois de sete anos de governo. Fui contra a estratégia de Goretti, pela mais elementar das razões: se Braz estava nas alturas, a tendência, dali pra frente, era só cair. Números como o de Braz lá atrás e os de Lula agora, só se divulgam em final de mandato.
Naquela primeira gestão Braz até que se equilibrou, mas depois veio o desastre. O que dizer, então, de quem já começa desastrado? Não há pesquisa que dê jeito. E a desinteligência, corrigindo o título, não é das pesquisas. Não trabalhe sério, como trabalhou Afeif, pra ver o que acontece.
