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quinta-feira, julho 2, 2026

Governador cabra-macho, presidente fanfarrão

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06/01/2010 – 11:01

Foto: arquivo

 

Garcia Neto, no centro, com Zé Elias à esquerda e o reitor João Pereira da Rosa, o primeiro carequinha à sua direita; ao lado o então vereador Walter Carneiro. Em pé, da esquerda para a direita, o radialista Cloé Fazzano, a professora Lorri Gressler, Albino Mendes, Vanderley Mariano, Joaquim Alberto Merino e o adjudante de ordens do governador.

Lula da Silva, para fazer média com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, em setembro do ano passado, garantiu, em alto e bom som, que o Brasil optaria pelos caças Rafale, da empresa francesa Dassault, para atender às exigências do projeto FX-2, de renovação a frota da FAB. Agora, a mesma FAB recomenda a compra de 36 caças Gripen NG, da empresa sueca Saab, mais baratos e por oferecer à Embraer a possibilidade de parceria em seus projetos de expansão internacional. Como fica, então, a palavra do presidente? O blog dá uma mãozinha ao companheiro Lula, para que não fique em maus lençóis.

Em 1977, no auge da crise entre campo-grandenses e cuiabanos por causa da divisão do Mato Grosso, o reitor da Universidade Federal, João Pereira da Rosa, comprou uma briga daquelas com o governador José Garcia Neto, por causa do curso de agronomia de Dourados, embrião do que viria ser a UFGD.

Não que Garcia Neto morresse de amores pela terra de seu Marcelino, mas, representante da cuiabania, prometeu aqui instalar o curso para se vingar de Campo Grande, que havia liderado o movimento pela divisão do Estado. Numa de suas últimas visitas a Dourados, em reunião no gabinete do prefeito José Elias Moreira, o governador pediu pressa ao reitor, mas sendo contrariado diante do argumento de que pelo parecer de técnicos da Universidade a opção era por Campo Grande. Foi quando, num rompante histórico, Garcia, com inflamado sotaque nordestino, de público, ordenou: “O curso vem para Dourados, nem que para isso eu tenha que demitir o reitor, pois a palavra do governador não pode ser jogada na lata de lixo”. E assim foi feito.

Agora, como conta a jornalista Eliane Cantanhêde, da Folha de S. Paulo, o presidente Lula está entre duas opções: ou joga o trabalho da FAB, na turbina do Aerolula e anuncia o Rafale, custe o que custar (aliás, literalmente, porque é de longe o mais caro dos três); ou recua na decisão política e segue a orientação de quem entende do assunto e produziu mais de 30 mil páginas de documentos, estudos, análises.

Será que Lula, o presidente fanfarrão, dá uma de Garcia Neto, o governador cabra-macho, ou pipoca diante dos milicos de farda azul?

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