08/01/2010 – 02:01
Fujo da simetria no título deste texto, como os mais atentos hão de observar, diante do impacto – e, infelizmente, da assertiva – de uma das frases mais polêmicas e infelizes proferidas por um político, desses ditos pára-quedistas, em relação à terra de seu Marcelino: a de que Dourados cresce igual rabo-de-cavalo, de autoria do deputado Dagoberto Nogueira, no dia da convenção que homologou o nome do deputado Ari Artuzi como candidato pedetista à prefeitura de Dourados, no ano passado.
Dagoberto vem se estrebuchando para tentar consertar a meleca daquele dia. Mas não lhe restava alternativa. Moço educado, bom parlamentar, apesar da derrapada do turismo internacional às expensas do contribuinte, como discípulo de João Leite Schimidt (o mais liso de todos os políticos do Mato Grosso do Sul), certamente disse o que disse movido pela força do subconsciente lhe martelando que o pior estava por vir, desde que consagrado o projeto por ele ali avalizado.
Dagoberto falou a verdade. E a verdade dói. Daí o cacete que vem levando da imprensa de lá pra cá. Mas, como o momento é de projeções com vistas às eleições de outubro próximo, há que se admitir que ele está coberto de razão, também, quando o assunto é a representatividade de Dourados na Assembléia Legislativa.
Nem é preciso nenhum tipo de consultoria dessas que se faz em períodos eleitorais para se chegar à conclusão que o eleitorado douradense está se abestalhando com o passar do tempo. Será que já é o efeito estufa fritando os miolos de nossa gente?
Sem maiores delongas. Dourados já mandou para a Assembleia Legislativa, primeiro em Cuiabá, depois em Campo Grande, deputados da estatura moral e ética de um Vivaldi de Oliveira; do idealismo de Celso Muller do Amaral; da eloquência do grande tribuno José Cerveira; também, do saber jurídico, cultural e poético de Weimar Torres; da sabedoria cuiabana de Walter Benedito Carneiro e, mais recentemente, da sobriedade e da sensatez de Murilo Zauith.
Com todo o respeito que se deve ter pela soberania do voto popular, aí aconteceu o imponderável: Ari Valdecir. O caminhoneiro que da noite pro dia se transformou em fenômeno eleitoral, o deputado mais votado da história da cidade, cujo legado político, dependendo dos desdobramentos das operações Owari/Brothers, poderá ser uma cadeira, na mesma Assembleia, à sua dignímissa dona Maria.
Para que Dagoberto Nogueira, um dia, quem sabe, possa ter motivos de vir a público se desculpar, é bom que o eleitorado comece a analisar melhor as listinhas de nomes que correm por aí. Que continue o reinado de Zé Teixeira, liderança das mais respeitadas no meio ruralista, com cadeira cativa no Palácio Guaicurus, pelo tanto de boi que mata em época de campanha eleitoral, mas que se confirme as projeções das pesquisas, com o retorno do estadista Tetila, que nem teve tempo de mostrar que também dá bom deputado, já que esse esquisito e contraditório eleitor douradense o chamou para ser seu prefeito por oito anos.
Marçal Filho, ah, Marçal, está com tudo na mão para, quem sabe, superar o feito do Valdecir, como deputado estadual mais votado, mas insiste em correr risco, para aparecer na foto só da tribuna dos federais.
A coisa ficou tão feia que até polítcos que haviam pendurado a chuteira estão sendo chamados à responsabilidade para tentar fazer valer a força do trabalho, não de uma administração sem norte, incompetente e demagógica como a do Valdecir, mas de gente que pega no guatambu e que faz girar a roda do desenvolvimento da região mais rica do Estado. Entre estes prováveis candidatos à Assembleia, figuram ícones da política local como George Takimoto, José Elias Moreira e Valdenir Machado. Tudo bem que aí já é querer demais, mas seria a grande chance do eleitorado começar a se redimir, pelas peças que andou pregando na cidade nos últimos tempos. E, aí, sim, Dagoberto Nogueira poderia vir aqui e se desculpar pelo impropério.
