11/01/2010 – 17:01
Foto: Anita Tetslaff
Resende, lição de administração em Valdecir
Diz o velho dito popular: quem fala o que quer ouve o que não quer. Foi o que aconteceu hoje de manhã, durante a cerimônia de instalação do governo provisório em Dourados, na presença do sempre ponderado Murilo Zauith, governador em exercício do Mato Grosso do Sul. O prefeito Valdecir resolveu abrir a tramela, como sempre, na tentativa de roubar a cena, mas acabou levando umas boas “bifas” do deputado Geraldo Resende. Só não saíram no tapa porque o parlamentar é um sujeito civilizado, mais ainda Murilo, que impediu uma tentativa de réplica de Valdecir, inconformado com o discurso em que Resende o colocou em seu devido lugar, ou seja, no canto do ringue.
O mal-estar começou com o prefeito reclamando, pela enésima vez, “dos buracos da Sanesul” e daqueles que criticam a saúde pública em sua gestão, “inclusive um deputado”. Foi o suficiente para Resende subir nas tamancas, já que foi iniciativa dele a auditoria do Denasus, órgão fiscalizador do Ministério da Saúde, que trouxe a público o alarmante número de mortes pela precariedade do atendimento no Hospital da Vida em Dourados.
Em tom inflamado, exibindo todas as credenciais como provável candidato a sucessor de Valdecir, Geraldo Resende disse que aquele não era o local, muito menos a hora para discutir picuinhas políticas, mas acabou desancando o prefeito, lembrando que sua história foi construída em cima do bom debate político e não com fraude e enganação. Como médico e profundo conhecedor do problema, destrinchou não só o relatório do Denasus (que denunciou cerca de 500 óbitos, e não “apenas” 190, como divulgado antes), dizendo que a saúde em Dourados está o caos, mas relacionando todas as emendas por ele apresentadas ao orçamento da União, que resultaram num infindável número de obras e serviços, não só para Dourados como para a região. Cabisbaixo, o prefeito franzia a testa e resmungava o tempo todo, chamando Geraldo Resende de mentiroso e de “Mané”.
Quem sabe assim, daqui pra frente, o “excelentíssimo” tenha um pouco mais de compostura, principalmente nas ocasiões em que se exige a tal liturgia do cargo. O Valdecir, como se vê, bem que poderia ter começado o ano sem essa.
