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quinta-feira, julho 2, 2026

O tiro no pé, de Nelsinho Trad

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03/02/2010 – 09:02

Foto:arquivo

                                                                      O empresário Mariano Cândido de Arruda, dono de uma rede de lojas lotéricas, de postos de combustíveis e agora enveredando também pela rede hoteleira, nem bem se entendia por gente, ali na linha do Barreirão, entre Dourados e Fátima do Sul, quando foi convidado por José Elias Moreira, candidato a prefeito, para entrar na política. Mariano virou vereador, depois presidente da Câmara. Um dia, sondado pelo padrinho político para voos mais altos, esnobou. Levantando o braço esquerdo e, com a mão direita, esfregando-o repetidamente, mostrou que já havia criado pêlos, dando a entender que não precisava mais de chefe. Continuou vereador, encerrando por aí mesmo a carreira política.

Pelo jeito, o sério problema de coluna do prefeito de Campo Grande, Nelsinho Trad (foto), não afetou a produção e o crescimento dos pêlos da emancipação política. Ao atropelar o processo eleitoral na capital, adiantando-se ao chefe André Puccinelli no apoio à candidata do PT a presidência da República, Nelsinho sinaliza que está disposto a correr riscos, abrindo mão de um ambicioso projeto político de médio prazo que poderia fazê-lo sucessor do próprio Puccinelli no governo do Estado.

Nelsinho está hoje na crista da onda. Quase igual a Lula no quesito aprovação popular. Os jornais se esbaldam com seu posicionamento. O douradense Diário MS até desencalhou nas bancas, depois de repercutir a declaração de petistas segundo as quais seu anunciado apoio a Rousseff foi um tiro no peito de Puccinelli. O CORREIO DO ESTADO repercutiu ontem o sentimento petista dando conta que a decisão de Trad teve efeito “devastador”, continuando hoje, em manchete de primeira página, já com o prefeito elogiando petistas e ignorando o governador.

Será que tudo isso é o efeito Giroto?

Não é segredo pra ninguém que Nelsinho Trad não era o candidato dos sonhos de Puccinelli à prefeitura de Campo Grande. Pelo contrário, ficou muito claro que era o candidato do grupo CORREIO DO ESTADO, tanto que A. J. Rodrigues bate no peito até hoje garantindo que ele foi quem elegeu o Trad filho. Já naquela época o médico André Puccinelli auscultou a possibilidade de ter como sucessor seu lugar-tenente Edson Giroto. Agora, quer fazê-lo deputado federal. Da Câmara Federal para a prefeitura de Campo, repetindo sua própria trajetória, seria um pulo. E, trampolim para o governo do Estado. Talvez isso tenha pesado na inesperada decisão do principal herdeiro político de Nelson Trad.

Nelsinho pode ter errado no time para a tomada de posição, não atentando para o detalhe de que Puccinelli tem uma reeleição pela frente. E veja só o tamanho de sua responsabilidade: transferir mais votos a Dilma Rousseff do que André a José Serra. Isto, num estado conservador, onde Lula, “o cara”, já perdeu para o mesmo Serra. Sim, porque esta é a condição para que Dilma, virando presidente, possa levá-lo para o Ministério da Saúde, onde, enfim, poderia resolver definitivamente o problema da dengue que aterroriza a população de Campo Grande. Lembrando, esse negócio de transferir votos é pra quem pode, não pra quem quer. E, não transferindo, em vez do tiro no peito de Puccinelli, Nelsinho pode estar dando um tiro no próprio pé.

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