10/02/2010 – 09:02
Wilson Valentin Biasotto *
Essa crônica explica uma anterior, que recebeu algumas críticas porque elogiei a postura do governo Lula em criar mais de uma dezena de Universidades no Brasil no período de 9 anos. Pelo exposto abaixo desejo que o caro leitor tire as suas conclusões.
Desde a fundação da primeira Universidade brasileira, a UFRJ, em 1920, até 1963, foram criadas no Brasil 20 Universidades Federais. Dez delas, coincidindo com o governo desenvolvimentista de Juscelino Kubtscheck, sendo oito em 1960 e duas no início de 1961.
O ritmo lento do crescimento universitário brasileiro até o final dos anos de 1950 deveu-se não somente à mentalidade provinciana da época, mas também ao fato de o Brasil ser ainda um país rural. Dos cerca de 52 milhões de habitantes, no início dos anos 50 apenas 36% viviam nas cidades.
O êxodo rural provocado especialmente pela industrialização brasileira a partir de meados dos anos de 1950, aliado ao vertiginoso crescimento demográfico exigia dos governantes que sucederam Juscelino, medidas no mínimo idênticas às tomadas por ele em relação à criação de Universidades. Para se ter uma idéia a população brasileira em 1940 era de 41.236.315; em 1950, 51.944.397; em 1960, 70.191.370 e em 1970 93.139.037; em 1980, 119.002.706. Lamentavelmente não foi o que aconteceu. Nos anos de 1962 e 1963 foram criadas apenas três Universidades no Brasil.
Em março de 1964 foi implantada a Ditadura Militar no Brasil. No período em que os militares ocuparam o poder foram criadas 16 Universidades, o que enseja a alguns áulicos mal informados ou intencionados, defenderem a Ditadura como impulsora do Ensino Superior. Vejamos, no entanto que o período não foi nada favorável ao Ensino por três razões principais. A primeira foi a perseguição a centenas de professores, aposentando-os ou exilando os que eram contrários ao Regime. A segunda razão é que, descontada a transformação da Universidade Estadual de Mato Grosso em Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, que foi consequência da divisão do Estado por razões eminentemente eleitoreiras, a Ditadura criou apenas 15 Universidades num período de 21 anos, pelos quais passaram 5 presidentes, além de uma Junta Militar em 1969. Portanto foram criadas em média 3 Universidades a cada cinco anos de Ditadura. A Terceira razão pela qual o regime militar foi nefasto ao Ensino Público Superior é que a Ditadura acabou com os cursos de Sociologia e Filosofia e criou as excrescências de Estudos Sociais para substituir História e Geografia e Licenciatura Curta em Ciências, em detrimento da Química, Física e Biologia.
Entre 1986 e 2002 foram criadas 9 universidades sendo 6 delas no governo FHC, 1 em 2000 e 5 em 2002. Tivesse paralelamente à criação dessas 6 Universidades, contemplado as já existentes, FHC poderia se aproximar de Juscelino, mas o presidente Fernando Henrique ao invés disso, inspirado talvez no neoliberalismo que imperou em sua época, permitiu uma expansão muito grande de Faculdades Particulares e promoveu o maior sucateamento já experimentado pelas Universidades Públicas do Brasil. Além da falta de verba para a pesquisa e extensão universitária, cerca de oito mil cargos de professores ficaram vagos nas Universidades brasileiras ao término de seu mandato e essas vagas eram preenchidas por professores substitutos contratados com salários ridículos, por hora aula ministrada.
Entre 2005 a 2009, período governado por Lula, foram criadas 12 Universidades no Brasil, e duas estão em frase de tramitação do Congresso Nacional.
Ora, pois, caro leitor, se na Alemanha, França, Itália, enfim nos países Europeus, praticamente 100% das Universidades são Públicas e esses países atingiram um elevado grau de desenvolvimento econômico e social, não é de se imaginar que quanto maior o número de Universidades Públicas no Brasil, maior também será o nosso desenvolvimento?
É para essas coisas que pagamos elevados impostos, não para os trambiques, maracutaias e quejandos.
Suas críticas são bem vindas: biastto@biasotto.com.br
- Da Academia Douradense de Letras. Prof. aposentado CEUD/UFMS.
