17/02/2010 – 11:02
Foto: arquivo
O Douradão é hoje o símbolo maior da incompetência do poder público.
Desportista nato, técnico de futebol consagrado pelo Ubiratan e pelo Operário, douradense de boa cepa, o ex-vereador Walter Brandão da Silva morreu, há poucos dias, em consequência de um conjunto de complicações, como diabetes e hipertensão arterial, mais a suspeita de dengue. Porém, uma autópsia mais detalhada certamente acrescentaria a tudo isso o desgosto decorrente do sofrimento pelo estado de abandono em que se encontra o esporte bretão, que ele tanto amava.
Brandão foi técnico nos áureos tempos do futebol amador, quando o velho estádio da LEDA vivia superlotado. Tempos de supercampeonatos, entre os mesmos Ubiratan e Operário. Tempos, depois, de Dragão de Ouro, CAD, Ubiratan de novo, novos títulos do estadual, até os tempos do já glorioso 7 de Setembro.
Dourados sempre teve bom futebol, nunca teve estádio digno de seus torcedores, até que o visionário governador Pedro Pedrossian, em homenagem ao trabalho de grandes desportistas, além de Brandão, como João Ângelo Rocha, Ayrthon Ferreira Barbosa, Ramão Moacir da Fonseca, famílias Faker e Saldivar, Roberto Razuk, Antonio Tonanni, entre tantos outros, resolveu construir o Douradão. Isso, já em seu primeiro governo, logo após a criação do Mato Grosso do Sul.
Hoje Dourados tem estádio, um dos mais modernos do Brasil, melhor, inclusive, que o Morenão. Tem também futebol, do 7 de Setembro, mas, ironicamente, o único representante da cidade no campeonato estadual não tem onde disputar seus jogos oficiais. Se alguém quiser torcer que vá a Itaporã, a Rio Brilhante, ou se contente com a velha LEDA.
Dourados poderia também sediar jogos da Copa do Brasil, como os do Ivinhema e Naviraiense. Já imaginou Robinho, do Santos, com suas pedaladas em pleno Douradão? Pois que fique na imaginação, já que nosso principal palco esportivo se transformou em depósito de pneus velhos, criatório preferencial do mosquito da dengue, a mesma dengue que pode ter agravado o estado de Walter Brandão, levando-o à morte.
Ah, a administração do Douradão é de responsabilidade da prefeitura.
