26/02/2010 – 09:02
Foto: Kauê Prieto
Deputado Geraldo Resende apadrinha a pré-candidatura do colega Moka na região.
Em 1982, depois de vencer Levy Dias na convenção do PDS, José Elias Moreira correu à casa de Pedro Pedrossian, nos altos da avenida Afonso Pena, em Campo Grande, onde seu chefe político o aguardava com um grupo de amigos para comemorar o grande feito. Muito uísque, siri à vontade, servido em “casquinhas” em forma de estrelas de cinco pontas (o símbolo usado pelo pedrossianismo) e os puxa-sacos começam a chamar Zé Elias de governador, até que um cauteloso assessor de Pedrossian adverte um deles: “o governador ainda é o dr. Pedro, cuidado para não constrangê-lo”.
Em 1985, nas primeiras eleições diretas para as prefeituras das capitais após a ditadura militar o senador Fernando Henrique Cardoso teve a infeliz ideia de se deixar fotografar sentado na cadeira de prefeito de São Paulo, por ele disputada com Jânio Quadros, que voltava à cena política depois da controvertida renuncia à Presidência da República.
Tanto Zé Elias como Fernando Henrique Cardoso perderam as eleições. O gesto de FHC, aliás, produziu uma reação inusitada e mais uma das antológicas frases do mato-grossense do sul Jânio Quadros, ao tomar posse como prefeito de São Paulo e ter que usar a mesma cadeira: “Desinfeto porque nádegas indevidas se sentaram nela”.
Lembro desses dois episódios depois de ler o convite para o encontro que o deputado federal Waldemir Moka teve ontem à noite com correligionários do PMDB em Dourados. No texto publicado na primeira página dos jornais locais está escrito: “A comissão executiva municipal do PMDB de Dourados convida todos os filiados do partido no município para um encontro com o senador da República, Waldemir Moka”. E olha que o deputado nem pelas prévias do partido passou ainda!
Não seria o caso de colocar o presidente do PMDB local, Laudir Munareto, que assina o convite, no rol dos mesmos puxa-sacos que assediavam Zé Elias na casa de Pedrossian, muito menos compará-lo ao “marqueteiro” que fez FHC se sentar na cadeira do prefeito Mário Covas. Preferível acreditar que ele, numa dessas idas a Brasília, onde foi fazer lobby para voltar a ser vereador em Dourados, tenha visto Moka no plenário do Senado, o que é normal entre os deputados federais, ou assistido a uma sessão do Congresso Nacional, onde deputados e senadores se misturam no plenário da Câmara Federal e tenha se confundido. Melhor que seja isso, pois no caso de prevalecer a primeira hipótese, pode dar zebra de novo. Né, Murilo?!
