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quinta-feira, julho 2, 2026

Desconfortável com André, Murilo é opção petista

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28/02/2010 – 10:02

Foto: Fábio Dorta

Sujeito refinado, Murilo Zauith (foto) não é de fazer ameaças, muito menos chantagem, mas sua situação como pretenso candidato ao senado, em relação ao projeto político de André Puccinelli, parece estar chegando ao limite. Na semana em que o governador pediu emprestada à Três Lagoas sua prefeita Simone Tebet, para compor sua chapa como candidata a vice-governadora e que a tropa de choque do Parque dos Poderes entrou em ação para tratorar a pré-candidadura do peemedebista histórico Walter Pereira na convenção que escolherá o candidato ao Senado, o vice-governador deu visíveis sinais de desconforto, mostrando que pode até não fechar, preto no branco, com Zeca do PT, mas que se colocará à disposição para garimpar o segundo voto petista para o Senado.

Como isso vai se dar na prática? Nem o próprio Murilo sabe. O que sabe é que é candidato – “doela a quem doela” -, apoiado pelo BDR, o Bloco Democrático e Reformista. Mas o raciocínio é simples e lógico: são dois votos para o Senado. Delcídio é praticamente senador reeleito. André e Zeca se atracando, no palanque e na TV, para quem vai o segundo voto dos eleitores do PT?

Tanto o PT como o principal aliado, o PDT, estão dispostos a conversar com o democrata Murilo Zauith. O namoro vem de longe e tudo acontece às claras, com sucessivos recados, inclusive via imprensa, de titio Zeca ao vice-governador. Nos bastidores, quem costura o acordo é o cacique-mor João Leite Schimidt, o mesmo cuja alquimia fez Pedro Pedrossian, derrotado no primeiro turno das eleições de 1998, descer do pedestal para apoiar Zeca, eleito no segundo turno contra Ricardo Bacha. A carta na manga, agora, é a retirada da candidatura-estepe de Dagoberto Nogueira ao Senado, para o apoio, mesmo que informal, ao que seria, no caso, uma candidatura dissidente de Zauith.

Até aqui Murilo teve postura ética e seguiu a ritualística do posto que ocupa ao lado de Puccinelli, a quem qualifica como mestre na arte de fazer política, mas daqui para frente, para transformar em realidade o sonho da Grande Dourados de voltar a ter seu senador, tem que cuidar da própria pele, o que significa, no linguajar do prefeito Valdecir, comer o “figo” de Valdemir Moka, o candidato do coração de André.

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