06/03/2010 – 09:03
Foto: Anita Tetslaff
Os denunciados da Owari no desfile do último 7 de setembro.
“Dói em cada um de nós, dói na alma, dói no coração, ver um governador sair do palácio para a cadeia, mas o fato é que há quem chegue às maiores alturas só para fazer as maiores baixezas”. (Ministro Carlos Ayres Brites, do STF).
Coincidência ou não, o oferecimento de denúncia, por parte do Ministério Público Estadual, contra o prefeito de Dourados, Ari Valdecir Artuzi, como um dos chefes da quadrilha desbaratada pela Polícia Federal através das operações Owari e Brothers, no ano passado, aconteceu menos de 24 horas após o Supremo Tribunal Federal ter negado habeas corpus ao governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, preso há 22 dias como chefe do mensalão de Brasília.
Nada a ver uma coisa com a outra, não fosse o fato de a bandalheira da capital da República, com repercussão internacional, ter se transformado na pedra de toque para se estancar a onda de corrupção que varre o Brasil há tanto tempo e que ganhou proporções gigantescas no governo Lula da Silva, depois da explosão do escândalo do mensalão.
No escândalo que sacudiu Dourados em julho do ano passado, com a prisão de políticos e empresários graúdos, como Sizuo Uemura, pelo medonho burburinho dando conta de acertos políticos, havia, já, um certo ceticismo por parte da população, quanto ao decisivo passo dado ontem pelo Procurador-Geral de Justiça, Miguel Vieira da Silva.
Pelo contrário, quanto à etapa seguinte do processo – o acatamento ou não da denúncia por parte do Tribunal de Justiça do Estado – existe certo alívio, para a felicidade geral dos douradenses, diante, também, de outro burburinho, este dando conta de que figuras de proa desta Corte de Justiça teriam mandado avisar àqueles que ainda se atrevem a interceder nestes casos para que não percam tempo, pois que a coisa é feia uma barbaridade. Ou seja, se depender do TJ, esta é uma história que não acabará em pizza, muito menos em sushi.
O escândalo Owari/Brothers faz doer muito mais a alma e o coração dos douradenses pelo estado de abandono em que se encontra a cidade, pela arrogância e pelo descaramento dos que tomaram a prefeitura de assalto e que insistem em se fingir de mortos. Oxalá, como diria o jurista Isaac de Barros, douradense desses de boa cepa e que ainda se indignam com esse tipo de coisa, que, desta vez, se faça justiça.
