22/03/2010 – 18:03
Tem muita gente que não entende o porquê de tantas rusgas entre o deputado Geraldo Resende e o Ari Valdecir. Eu mesmo às vezes fico imaginado se o estica-e-puxa já é por causa das próximas eleições municipais, para as quais o deputado está se credenciando, justamente para desbancar o atual prefeito, se é que ele consegue terminar o mandato. Essa impressão ficou mais forte ainda depois da afirmação do governador André Puccinelli, em sua penúltima visita a Dourados, dando conta de que Geraldo Resende já está “prefeitando”. E é verdade. Se duvidar, como deputado, Resende está fazendo muito mais pela cidade do que o próprio prefeito.
Sexa-feira passada, véspera de mais uma visita de Puccinelli, passei no escritório de Resende para saber da agenda do governador, encontrando-o mais agitado do que nunca. O motivo: o monte de obras com recursos por ele viabilizados, que não andam pela inapetência de Valdecir para o cargo. Seria o caso de perguntar: será que é inapetência mesmo? Por que será que com essas obras o Ari não tem o mesmo apetite que demonstra pelas obras cujos recursos são de Vander Loubet, de Dagoberto Nogueira, ou mesmo aquela ânsia em resolver logo a questão, como aconteceu com as propostas de privatização da Sanesul e terceirização do Terminal Rodoviário, serviços que pretendia entregar ao conglomerado de empresas da família Uemura e que quase o levam para cadeia?
Veja as fotos que ilustram esta situação, e o desabafo de Geraldo Resende, em seu blog:
Março 18, 2010 por depgeraldo
Clínica da Mulher: Recursos assegurados. Obra parada.
Projeto do Hospital da Vida. O dinheiro está no banco. Mas a reforma está atrasada.
Praça Antônio João. Os recursos estão à disposição da Prefeitura. Mas a obra de revitalização não tem data para acabar.
Centro de Convivência do Idoso. Recursos garantidos para a construção de uma quadra de esportes. Mas a obra ainda não saiu do papel.
Projeto da Praça do Parque Ambiental do Córrego Rego D’água. O dinheiro para a construção da praça já está liberado. Mas a obra não tem data para acontecer.
Construção de seis novas Unidades Básicas de Saúde. O dinheiro está à disposição da Prefeitura. Mas a população continua sofrendo por falta de estrutura na rede de saúde. E a construção das novas unidades ainda não tem data para acontecer.
As imagens dispostas aí acima são projetos essenciais para Dourados. Não só para deixar a cidade mais bonita. Mas para garantir mais saúde e conforto à população douradense. Deu muito trabalho conseguir recursos para torná-las realidade. Essa parte, a mais difícil, foi vencida. Com o meu esforço e com a ajuda da minha equipe e dos meus assessores, em Dourados e em Brasília, conseguimos assegurar recursos federais para realizá-las.
Mas, pelo menos por enquanto, elas não passam de belas fotografias. Por quê? É a pergunta que me faço todos os dias. Por quê? E apesar do esforço que faço, essa pergunta fica no ar, sem resposta.
Tenho sido um dos mais insistentes cobradores do prefeito e de seus secretários. Minha insistência, não fosse por outro motivo, se justifica porque não é certo ver a população passando dificuldades, deixando de ser atendida adequadamente nos postos e centros de saúde; ver nossos jovens e idosos sem espaços para lazer; enquanto o dinheiro permanece parado no banco, à disposição da Prefeitura.
Não, não é impertinência minha cobrar estas coisas. Não me canso de cobrar porque isso é parte das minhas obrigações, como parlamentar. Sem perder o bom humor, mas nem por isso achando que o assunto é brincadeira, já fui reclamar até ao bispo. Pedi ajuda divina, pra ver se com alguma oração e com as bênçãos celestiais algo pudesse mudar. Mas nada aconteceu.
Resta então tentar entender por que capricho a administração resolveu privar a população de tantos benefícios. Procuro e não encontro sentido. Alguns interlocutores insistem comigo que é falta de competência das secretarias responsáveis e põem no embrulho até mesmo a falta de firmeza do prefeito para que os seus funcionários cumpram as suas ordens. Tenho dificuldades para imaginar e aceitar isso.
Como pode ser incompetente uma equipe formada e liderada por quem ganhou uma eleição exatamente assumindo o compromisso de realizar os desejos dos mais humildes? De atender em primeiro lugar as suas necessidades?
Como compreender que o governo que usou o voto e a confiança popular para assegurar que faria diferente, está se distanciando cada vez mais de suas promessas de campanha e deixando cada vez mais abandonada a sua gente?
Para ser sincero, o governo está fazendo diferente, sim. Mas diferente para pior. A cidade vive sob a sombra de um escândalo de corrupção que pode, a qualquer momento, “apear” o prefeito do cargo. É lamentável. É entristecedor.
Me recuso a imaginar que por trás dessa punição imposta ao povo de Dourados esteja uma vingança política. Será que alguém, ainda mais investido de autoridade pública, teria coragem de boicotar tantos projetos importantes só porque na origem da obtenção dos recursos está o meu trabalho, a minha marca?
Como justificar para a população a paralisação de obras como a construção da Clínica da Mulher, a revitalização da Praça Antônio João; a reforma do Hospital da Vida; a implantação da praça do Parque Ambiental do Córrego Rego D’água; a construção de seis novos postos de saúde e a construção da quadra de esportes do Centro de apoio à pessoa com deficiência, Dorcelina Folador?
Sinceramente, eu creio que fazer política é algo mais sério do que isso. No estágio da vida em que me encontro, não há mais espaço para mesquinhez. Nem para hipocrisia. Que as diferenças de pensamento e da forma de agir mantenham em lados opostos eu e o prefeito, não há como negar.
Nem por isso eu vou deixar de cobrar-lhe um postura mais adulta, mais responsável. Porque eu, mesmo reconhecendo essas diferenças políticas, não deixo de fazer a minha parte, nunca me neguei a ajudar a cidade a se desenvolver. Nunca permiti que uma disputa pessoal pusesse em risco o bem estar da população de Dourados.
Não obtendo sucesso em minhas investidas anteriores, até ao Ministério Público já recorri. Espero que a força da lei obrigue o prefeito a sair do imobilismo e o leve a fazer o que é preciso – trabalhar pelo bem de Dourados. Se ainda assim não houver avanço, o prefeito poderá sofrer uma ação por improbidade administrativa. Afinal de contas, são recursos públicos arduamente conquistados em Brasília que estão deixando de ser utilizados. E, pior, a cidade corre o risco de perdê-los.
Na verdade, me surpreende ver que, se por um lado, a folha de pagamento da prefeitura incha, com a contratação suspeita de pessoas para ocupar cargos comissionados; por outro, parece faltar técnicos com reconhecida capacidade para fazer andar os processos e vencer a lerdeza da burocracia, fazendo andar os projetos que não saem do papel. Um coisa eu garanto, a minha obrigação de lutar por Dourados é maior do que tudo. E eu não vou descansar enquanto essa onda de tristeza e desrespeito não der lugar a um novo e verdadeiro tempo de desenvolvimento para Dourados.
