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O reencontro de Vivaldi com Chico Xavier

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03/04/2010 – 11:04

Tive o privilégio de receber a visita de Vivaldi de Oliveira, quando era assessor de imprensa do prefeito Luiz Antonio.

A discrição sempre foi a marca de Vivaldi de Oliveira, ícone maior do trabalhismo getulista na região da Grande Dourados. Talvez por isso ele tenha resolvido desencarnar, aos 85 anos, só um dia depois da grande festa que certamente os espíritos iluminados prepararam para comemorar, ontem, os cem anos de nascimento de outro ícone, na verdade, um mito do espiritismo, Francisco Cândido Xavier, mas em tempo de dar um fraternal abraço naquele que o inspirou a seguir a doutrina de Allan Kardec. Vereador, prefeito e deputado, liderança em ascensão, Vivaldi abandonou prematuramente a política para se recolher ao recato de suas convicções espíritas. Ele estava internado desde o último final de semana no Hospital Evangélico, acometido por um acidente vascular cerebral (AVC) enquanto se preparava para uma sesta, aconchegado nos braços de sua filha Maria Aparecida.

Antes mesmo de se converter ao espiritismo Vivaldi já era conhecido como o “pai dos pobres”. Sua administração, em plena efervescência da Colônia Agrícola Nacional, marcou época, levando-o a se eleger como o deputado mais votado da história. Era do PTB, mas, bem entendido, o “peteba” velho de guerra, do presidente Getúlio Vargas.

Seu primeiro encontro com Chico Xavier aconteceu em Dourados, quando era prefeito, por aquilo que os leigos diriam tratar-se de uma obra do acaso. Ele era boêmio e, num dos bares da vida, recebeu a informação de que havia um hóspede ilustre no Grande Hotel, de Dom Vitório e de Imera Fedrizzi. Vivaldi correu até lá, apresentando-se e se oferecendo para pagar as despesas de hospedagens, o que foi de pronto recusado. O prefeito se contentou em guardar uma cópia da nota fiscal, para servir de comprovante da passagem do já líder espiritual por sua cidade.

Mas como e por que Chico Xavier veio parar em Dourados?

Conta o médico douradense Luiz Machado, que o conheceu nos tempos de universidade, em Uberaba, que Chico Xavier retornava de Ponta Porã, quando seu avião entrou numa zona de turbulência. Desesperado, começou a gritar, juntamente com os demais passageiros. Foi quando recebeu um pito de Emmanuel, seu orientador espiritual, dizendo para que se acalmasse, “pois até para morrer tinha que ter dignidade”. Logo em seguida seu piloto avistou a pista de terra do antigo “campo de aviação” que existia na Cabeceira Alegre, cuja “estação de passageiros” ficava onde hoje está a Praça do Cinquentenário.

Levado ao hotel, segundo relato por ele mesmo feito a Luiz Machado, a primeira coisa que Chico Xavier procurou saber era onde ficava um centro espírita. Pediu um táxi. Na época, meados dos anos 1950, esse tipo de serviço só era feito por charretes e, por “coincidência” , o charreteiro que veio em seu socorro, seu Ranulfo, era justamente um dos trabalhadores da casa espírita “Emmanuel”, localizada no Jardim Itália. Sempre que retornava a Dourados em férias, durante o período em que ficou em Uberaba, Luiz Machado era portador de correspondências de Chico Xavier ao privilegiado charreteiro.

Por esta sua exemplar passagem terrena é bem possível que Vivaldi de Oliveira, a estas horas, já tenha tido condições de se reencontrar com seu mestre Chico Xavier. Isto, se Harrison de Figueiredo, outro trabalhista empedernido da era Vargas, não tenha tomado à frente para a recepção ao grande amigo, ansioso por saber, de viva voz, se é mesmo verdade tudo o que andam dizendo a respeito de sua Dourados nesses últimos tempos.

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