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quinta-feira, julho 2, 2026

“Me tira o tubo”

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19/05/2010 – 08:05

Na expectativa do canto da saracura prenunciando o candidato a vice-governador de Dourados na chapa de Zeca do PT ou do suplente de Campo Grande para reforçar a candidatura de Murilo Zauith ao Senado, sem muita inspiração, na fria manhã desta terça-feira, recebo uma ligação de meu amigo, ex-prefeito, ex-deputado federal e quase ex-senador de Dourados, João da Câmara. “Estou ligando para matar a saudade”, disse-me o “Português”, ainda consternado pela perda de mais dois amigos – Flamarion Capilé e Ramão Perez. E emendou dando a informação que, com certa ansiedade, eu já aguardava há algum tempo: “estava aqui vendo as suas notícias no computador”. Com Totó Câmara, agora internauta, o blog está completo, em termos de audiência. Ele é o último dos moicanos a aderir à “mudernidade” como diz outro amigo, o grande jornalista Montezuma Cruz.

A última vez que tive a oportunidade de ter um dedo de prosa com Totó foi no velório do também ex-prefeito Vivaldi de Oliveira. E combinamos de começar a falar mais amiúde, até porque esse negócio de só se encontrar em velório é friagem. Além do que conversar com ele é sempre muito prazeroso e enriquecedor, para quem gosta da história e da política da terra de seu Marcelino, que vem a ser também a terra do filho ilustre de seu João Cândido e de dona Rosa Câmara.

Tudo bem que estivesse com saudade e doido para contar a novidade internética. Mas Totó é um político matreiro, daqueles que ouve mais do que fala. Conversa vai, conversa vem e começo a descobrir a razão do telefonema: “O JK construiu Brasília em quatro anos, será que em quatro anos o Artuzi consegue entregar a reforma da praça Antonio João?”. Seguiram-se observações no macro da política estadual que, se ouvidas por quem de direito, mudariam o quadro que aí está, principalmente no que se refere à posição de Dourados, um dia coadjuvante privilegiada do processo, mas nem isso mais.

Com Totó já desligando o telefone, digo-lhe que a CPI da saúde finalmente está completa, com a indicação, por Ari Valdecir e Jr. Teixeira, do vereador tio Júlio para substituir o pimpolho de seu ardoroso discípulo Roberto Djalma Barros. “Quem?”, perguntou, deixando o telefone por alguns segundos em silêncio, até que uma voz diferente, mais jovial, encerrou a ligação: “O tio Totó não está passando bem, a gente se fala depois”. Era o sobrinho preferido Helder Câmara, filho de Harrison Figueiredo.

Piadista de cátedra, e até por isso, por estar sempre sorrindo,Totó está muitíssimo bem de saúde. Só não deu a gostosa gargalhada com a qual costuma encerrar esse tipo de conversa, mas o silêncio foi a forma de inovar em seu discretíssimo jeito de censurar os desvarios do (des) governo Valdecir, deixando no ar um recado como o que Jô Soares costumava mandar ao seu “amigo João”, o general João Batista Figueiredo, quando seu personagem, internado num quarto hospital, mandava lhe tirarem o tubo sempre que chegava uma notícia estapafúrdia provocada pelos equívocos do governo recém-empossado de José Sarney.

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