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Valdecir pode estar superfaturando obras de tapa-buracos e de recapeamento em até 42 por cento

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24/05/2010 – 09:05

Acabou a brincadeira. Se é que é brincadeira esse negócio de se eleger prefeito e virar gerente dos empreendimentos da família Uemura, para se locupletar; de mandar assessor esconder dinheiro debaixo do colchão, para encher invernadas de gado de raça; de pagar salários exorbitantes “por fora” para secretários e de gastar milhões em propaganda sem que se tenha conseguido, depois de um ano e meio de governo, sequer licitar esse tipo de serviço. Se a Justiça vai fazer alguma coisa, só o tempo dirá. Se ele vai ser realmente preso e ter o mandato cassado, como já deveria ter acontecido, como era o desejo da Procuradoria Geral do Estado, diante das evidências de tantos crimes, são outros quinhentos. Se depois de tudo que a Polícia Federal trouxe a público, com as operações Owari/Brothers, com a prisão de empresários acusados de chefiar uma quadrilha que assalta os cofres da prefeitura e da espinha dorsal do secretariado municipal, não teve fim a ladroagem, cabe ao blog, que tem divulgado passo a passo as trapalhadas desta que se afigura como a administração mais corrupta da história de Dourados, continuar denunciando, apesar das ameaças e dos processos já movidos pelo Valdecir, nosso personagem principal.

Depois de muito diz-que-diz-que, finalmente os números da corrupção. Preto no branco. Em patamares alarmantes. Assustadores. Criminosos.

A população de Dourados pode estar pagando até 42 % a mais por obras e serviços executados pelo (des) governo do Ari Valdecir. O novo nicho da roubalheira são os serviços de tapa-buracos e de recapeamento, pelas naturais dificuldades de fiscalização.

O blog teve acesso aos romaneios dos embarques, na pedreira, e desembarque, no local dos serviços, em vários pontos da cidade, de CBUQ (cimento betuminoso usinado a quente), a popular massa asfáltica. A partir destes números, os cálculos são de que o desvio, em dinheiro, só naquele fatídico agosto, ou seja, o mês seguinte à deflagração da operação da Polícia Federal que tentou desbaratar a quadrilha comandada pelo prefeito, é de aproximadamente R$ 700 mil. Pelas informações conseguidas pelo blog, a ordem inicial de superfaturamento era para ficar na faixa dos 30%. Depois, teria vindo uma contra-ordem, mandando subir o valor para 42%. 

O desvio é feito através da adulteração desses romaneios, como se pode conferir abaixo. Por exemplo: conforme o documento 01220, o caminhão de placas HTI 5882, dirigido pelo motorista Elias, saiu da pedreira, às 5h47, do dia 01/08/2009 com 22,6 t. de CBUQ. Depois de percorrer pouco mais de 11 km o mesmo caminhão descarregou as mais de 22 toneladas de massa asfáltica para recapeamento do trecho do cruzamento das ruas Onofre de Matos com Floriano Peixoto. Observando-se um segundo romaneio, com o mesmo número 01220, e este é o que vai para a contabilidade da prefeitura, vê-se que o peso líquido da carga do referido caminhão passa para 26.6 t. E é aí que o Valdecir tiraria a diferença. Assim, o responsável pela adulteração dos documentos, funcionário da empreiteira, recebendo “orientações superiores”, que seria de gente do primeiro escalão da prefeitura, é obrigado a transformar seis carregamentos de brita em nove. Ou seja, de 138.6 t. saídas da pedreira, teriam sido contabilizadas pela prefeitura 230.9 t., uma diferença a mais de 92 toneladas, repetindo, em apenas seis caminhões.

Os documentos obtidos pelo blog estão à disposição de suas excelências, os nobres vereadores, da Polícia Federal e do Ministério Público.

O mesmo romaneio, mudando só o peso líquido, no destaque. O peso maior é o que vai para a contabilidade da prefeitura.

Documento da empreiteira, atestando o recebimento da carga, com o peso original.

Discriminação dos locais dos serviços.

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