18/06/2010 – 09:06
Foto: Anita Tetslaff
Não. Não falemos, agora, de ficha limpa. Ele nem foi julgado, ainda, mas, com certeza, diante da montoeira de processos que vai se formando contra ele, em todos os Tribunais, uma hora ele pega um colegiado de mau humor e, pimba! A enrascada é quanto ao apoio que Valdecir precisa retribuir nestas eleições. A fatura a ser liquidada junto a companheiros de primeira hora, se é que os tem, e aos novos aliados, aos quais teve que se agarrar, exatamente por causa das trapalhadas que a cada dia faz brotar um novo processo.
Apoiado nas eleições que lhe fizeram prefeito por uma significativa ala do PT – Vander Loubet à frente – o prefeito douradense não poderá retribuir apoio àquele que lá atrás deu sinal verde (de campina, mesmo) para que se investissem os primeiros trinta pilas que lhe possibilitou trocar a cadeira de vereador pela de deputado estadual. Ele mesmo, titio Zeca. Isto, porque, depois da Owari (a operação que desbaratou a quadrilha que agia na prefeitura), resolveu jurar fidelidade eterna a André Puccinelli. Outro dia, inclusive, empanturrado de feijão preto e soluçando uma barbaridade por causa dos goles a mais que tomou de cerveja destas de segunda linha servida na festa dos Barbara, o primeiro-sobrinho não se cansava de ameaçar: “Ele (o Valdecir) não perde por esperar”, num arroubo de otimismo em relação à volta da turma ao poder.
Pra senador, a coisa é mais enrolada ainda. Ano passado, em alto e bom som, durante evento político na Associação Comercial e Industrial de Dourados, com aquele seu jeitão meio desengonçado, Valdecir pegou Murilo Zauith (com ele, só chamego, na foto) pelo braço e bradou: “Se você quer ser senador vai ter meu apoio, mas precisa dizer que quer!”. Murilo disse, finalmente, esta semana, que sim, que quer ser senador. Só que o Valdecir nunca escondeu sua preferência por Delcídio do Amaral. Até aí tudo bem, são duas vagas, um votinho pra Murilo, outro pra Amaral. Mas e agora, se André resolve “sugerir” também o nome de Waldemir Moka, além, claro, do candidato local, o Murilo?
Pior. E se Dagoberto Nogueira, que é do mesmo (?) PDT do prefeito, mesmo com a ficha mais suja que pau de galinheiro, consegue emplacar? Sim, porque as chicanas jurídicas, nas quais mestre João Leite Schimidt é craque, foram feitas para isso. Pelas barbas do profeta!, como diria o impagável Silvio Luiz. Eu não queria estar na pele o Valdecir.
