20/06/2010 – 09:06
Foto: Anita Tetslaff
Londres e André (o dono da bola).
De Londres Machado é – de todos – sabido e notório ser a maior raposa da política estadual, por sua destreza nas negociações, sempre na condição de fiel da balança, tanto nas eleições quanto para assegurar a tal governabilidade. Vai (alguém duvida disso?) para o décimo primeiro mandato consecutivo. Sua história como deputado estadual perpassa os dois Mato Grossos, tendo aplicado na Assembléia Legislativa do do Sul, à qual sempre controlou com mãos de ferro, toda a maquiavelice aprendida juntos aos cuiabanos, até que André Puccinelli, seu arquirrival na política paroquial de Fátima do Sul ali colocasse uma cunha chamada Jerson Domingos.
Já na criação do Mato Grosso do Sul, Londres Machado mostrou à que veio. Nomeado Harry Amorim governador, por causa da briga intestina entre Pedro Pedrossian e Antonio Mendes Canale, aliou-se a Levy Dias para dar respaldo ao gaúcho que por aqui passara apenas algumas vezes para vistoriar as obras de uma grande erosão em Glória de Dourados. Depois, apoiou o governo do até então “chefe” Pedro Pedrossian e, já com uma participação mais escancarada, o de seu sucessor, Marcelo Miranda. Nos governos peemedebistas de Wilson Martins, aquietou-se, mas não sem manter seus tentáculos em pontos nevrálgicos do Estado, como na máquina arrecadadora, o mesmo acontecendo no retorno de Pedrossian para seu último reinado. Com Zeca do PT esbaldou-se, diante da inexperiência da companheirada. Aí vem André Puccinelli, e quando todos o imaginavam no fim da linha, eis que ele põe em prática o velho dito popular: quando não se pode com o inimigo, junte-se a ele.
Claro que o sonho dourado de Londres sempre foi ser governador por um mandato inteiro, não apenas tampão, como foi, por presidente da Assembléia, lá no início, durante o entra-e-sai de Harry, Marcelo e Pedrossian. Ou senador. Até ensaiou voos nesta direção, mas, com seus olhos de lince, preferiu a discrição nos bastidores, tendo por princípio jamais abandonar os companheiros pelo caminho.
De Londres Machado e André Puccinelli o que sempre se imaginou é que se um dia se unissem não teria pra mais ninguém, que mandariam no Estado o tempo que quisessem. Pois não é que eles se juntaram? Se dúvidas existiam de que a aliança colocada no dedo esquerdo nas eleições passadas passaria ao da mão direita quatro anos depois elas se dissiparam durante a visita que fizeram neste fim de semana ao reduto onde sempre se digladiaram: as linhas e os travessões da Colônia Federal de Dourados que deram origem a Fátima do Sul, Glória de Dourados e todas as cidades que delas foram se desmembrando.
Pra se ter uma ideia de as quantas anda o relacionamento entre eles, a agenda do governador previa visitas apenas a Glória de Dourados e Vicentina. Mas, sem que ninguém entendesse, a comitiva que seguia de Glória para Vicentina passou reto, indo até Fátima do Sul e da lá retornando sem que ao menos eles descessem do carro. A desculpa: Londres queria mostrar ao governador um detalhezinho de uma obra do balneário com o qual sua mulher, a prefeita Hilda, esnoba muita gente que se diz boa de serviço. E, no palanque, no centro de Vicentina, as explicações. De Londres: “O André sempre foi meu adversário, sempre me deu muito trabalho aqui na região, mas isso é passado, hoje é um grande companheiro”. E o governador, com seu jeito peculiar de se comunicar com o povão, depois de rasgar elogios ao deputado: “antes adversários, hoje cupincha um do outro”.
Talvez por isso André Puccinelli tenha prognosticado em resposta a uma pergunta do repórter “global” Wilson Gonçalves, que conhece essas duas figuras como ninguém: “os adversários vão ficar pelo caminho, já no primeiro turno, a poeira de distância”.
Londres e André, juntos? Sai de baixo!
