28/06/2010 – 09:06
Fotos: Anita Tetslaff
Zeca do PT e André Puccinelli: agora, oficialmente, à cata de votos.
Cumprido o ritual das convenções (espero que nenhum gaiato resolva estragar minha “festa” de aniversário, depois de amanhã, último prazo para o lançamento de candidaturas), temos aí cinco dias para a parte burocrática – o registro dos candidatos junto à Justiça Eleitoral, para a checagem dos fichas sujas, dos que têm mais, dos que têm menos (bala na agulha, din-din ou garrafa vazia pra vender, vai do gosto do freguês) – e aí é pau na máquina. André, como bom italiano, com sua Ferrari tinindo de azeitada; titio Zeca, como bom pantaneiro, com seu cavalo paraguaio na ponta dos cascos, e, como amigo do peito do “Homi” (assim mesmo, com H maiúsculo), sonhando com a ajuda que pode vir dos céus, ou seja, do “aero-Lula” com o presidente a bordo para tentar fazer a diferença.
Pelo que se viu na pré-campanha já se pode ter uma ideia que vem por aí e, independentemente do nível dos debates – daqui pra frente monitorados pela Justiça Eleitoral – ficando a expectativa de uma confusão sem precedentes, diante do inusitado da lambança partidária que transforma palanques, agora sim, em verdadeiros balaios de gatos. No centro das atenções, André Puccinelli e Zeca do PT, na eleição que interessa mais de perto aos mato-grossenses do Sul. De resto, um Deus nos acuda, com aliados e adversários se misturando ora no palanque de André com Serra, ora no palanque de Zeca com Dilma. Exemplo maior disso, o prefeito Nelsinho Trad, de Campo Grande, cabo eleitoral de primeira hora de André, mas apoiando a ex-fada madrinha do governador, Dilma Rousseff para presidenta.
Confusão maior ainda no pega para o Senado. Delcídio do Amaral, não bastasse o salto alto que o distancia cada vez mais da companheirada do PT, agora com ciuminhos de Dagoberto Nogueira, ainda candidato, por causa de madame Gilda, a primeira suplente. Do lado de André, ou Murilo Zauith e Waldemir Moka, partem com tudo para destronar Delcídio ou revogam a lei da física que impede dois corpos de ocuparem o mesmo espaço.
Mas de arrepiar, guerra mesmo, será entre André e Zeca. O governador se diz tranquilo com os números das pesquisas que apontam vitória já no primeiro turno, como afirmou em Vicentina outro dia, “a poeira de distância”. Zeca, admitindo dificuldades, prefere suavizar a situação, dizendo que a disputa vai ser no olho mecânico, aquele tréquinho que define o vencedor de páreos quando os cavalos chegam juntos. Além dos números das pesquisas, André põe também a maior fé nos números de seus três anos e pouco de governo, que, por suas contas, são mais expressivos que os oito anos do antecessor e adversário.
