05/07/2010 – 12:07
Foto: Anita Tetslaff
André garimpa voto com o dono do boteco enquanto companheiros se esbaldam.
Tudo bem que Zeca do PT esteja curtido de tanta cachaça que tomou com Lula da Silva ao longo desses anos todos de militância partidária. Que André Puccinelli, como médico cirurgião, tenha tido um pouco mais de cuidado com as tripas, até porque, pelo tanto que tem corrido o Estado nesses três anos e meio de governo sobra muito pouco tempo para comilanças, mas não dá pra imaginar, por exemplo, a refinada Tatiana Ujacow encarando uma galinhada, uma pucherada ou um baita copo (de “cristal” Cica, é bom avisar logo) de café daqueles que, de tão fraco, chega ser transparente. A vice de André, Simone Tebet, não deve sofrer tanto com este tipo de situação, pois foi criada trepada nos palanques do pai, prefeito, deputado, governador e senador Ramez Tebet.
Aos novatos como a filha do grande jurista Josephino “Pepito” Ujacow, algumas dicas são imprescindíveis, mas nada que uma boa conversa com Zé Elias Moreira, cabo eleitoral número um de titio Zeca, não possa resolver. Digo isto pois foi com o filho de seu Quinzito que vivi algumas das mais hilárias dessas situações. Na campanha de governador, em 1982, por exemplo, ele escalava o fiel escudeiro Júlio Marques de Almeida para estar ao seu lado na mesa, principalmente na hora da “janta”, como diz o companheiro Lula, para a costumeira troca de pratos. É que sempre depois dos comícios o candidato tinha que jantar com dois ou mais líderes locais. Julinho, muito franzinho, mas com um apetite de leão, estava sempre pronto, à espera do prato com as melhores carnes, preferencialmente servidas ao candidato a governador. A troca era rápida e discreta, seguida de rasgados elogios do candidato à cozinheira.
Quanto a “água de batata” a mais difícil de pôr pra dentro foi num domingo à tarde, em Tacuru, na eleição de 1986. Um copo de massa de tomate daqueles de 300 ml, cheio até a boca. E, desta fez, fui o escolhido para socorrer Zé Elias, aí candidato a deputado federal. Isso, depois de uma churrascada e de um comício às 13h para meia dúzia (isso mesmo!) de pessoas, tanto que o candidato a governador, Lúdio Coelho, recusou-se a subir no palanque, seguindo adiante na esperança de poder falar para um público maior, em Sete Quedas.
E ai do candidato que refuga diante de uma comidinha nesses périplos de campanha, ou de um cafezinho “da hora”, sem falar do indefectível bolo de fubá daqueles que está no livro de receitas a ser lançado pela irmã de madame Gilda, a vidente que tudo sabe, de “Escrito nas Estrelas”. Perde o voto e, às vezes, até a amizade.
Zé Elias tirava de letra esse tipo de situação, ainda mais em se tratando de uns tragos “da boa” cachaça ou daquelas que já à época desciam redondo,ganhando, por isso, o apelido de “Zé Pinguinha”.
