07/07/2010 – 09:07
Foto: arquivo
O empresário Sizuo Uemura, chegando, preso, um ano atrás, à PF.
Exatamente um anos atrás, mais ou menos neste horário, ligo para o engenheiro Antonio Nogueira, ex-secretário de obras do município e fonte das mais seguras, para uma consulta. Nem bem começo a falar e vou levando uma bronca: “Que jornalista desinformado é você, o prefeito na cadeia e me vem com este tipo de pergunta?”. Nem lembro mais o que queria saber dele, mas a casa havia caído e eu estava realmente por fora. Archimedes Ferrinho Lemes Soares, meu informante número um, neste dia pisou feio na bola comigo. É que a notícia era tão bombástica que até ele ficou meio desorientado. O prefeito não estava, ainda, preso, porque “vazou” no porta-malas do carro de um advogado, mas o vice-prefeito Carlinhos Cantor e boa parte do secretariado municipal, de vereadores aliados, além da família Uemura e o vice-prefeito e secretário de governo de Ponta Porã, Eduardo Campos e esposa já desfrutavam do conforto e da segurança das modernas instalações da carceragem da Polícia Federal. Era a operação Owari/Brothers que sacolejava Dourados. Dali a instantes, postei o primeiro texto, com o título: “Dourados à deriva, o poder na cadeia”.
A Polícia Federal, na maior operação contra a corrupção já realizada em Dourados, utilizando-se de cerca de 250 agentes, todos vindos de fora, desmantelou a quadrilha que assaltava os cofres de prefeituras da região da Grande Dourados. Mas a alegria da população durou pouco. Menos de 24 horas depois, em efeito cascata, os habeas corpus começaram a surtir efeito e, um a um, todos os envolvidos foram sendo libertados. Apenas Sizuo Uemura, tido como chefe da quadrilha, e seu filho, Eduardo, curtiram cana por mais alguns dias e, pior, nas não tão confortáveis “suítes” do presídio de segurança máxima Harry Amorim Costa.
Um ano depois está todo mundo livre, leve e solto. Ari Valdecir, depois do susto daquele fatídico 7 de julho, graças às famosas chicanas jurídicas, continua aprontando das suas, como se nada tivesse acontecido. Quanto ao anunciado rombo nos cofres da prefeitura de Dourados de cerca de R$ 20 milhões, disse-se, depois, que não passaria de R$ 2 milhões, não se sabendo, até hoje, se foi um arroubo do xerife Bráulio Galloni ou apenas uma atrapalhação por causa de um zero a mais à direita, o que faz uma diferença medonha.
Os processos continuam correndo em segredo de justiça – o do Valdecir, por ter foro privilegiado, subiu para o STJ. E o que seria um ponto final (Owari, em japonês) na roubalheira das prefeituras, pelo jeito, não passou de um sonho.
