23/08/2010 – 16:08
Depois de muitas visitas como candidato, Lula volta nesta terça-feira a Dourados, para rever a companheirada, Egon e Tetila, inclusive.
24 de agosto de 2010. Se Lula esperasse um dia, só, poderia comemorar, juntamente com o Valdecir, em Dourados, os 66 anos da libertação de Paris, numa operação que começou com o desembarque das forças aliadas da Segunda Guerra mundial, na Normandia, em 6 de junho de 1944, no chamado dia D. Mas não, Lula vem mesmo nesta terça-feira. Quando anunciaram a data, pensei, cá com meus botões: o PT resolveu homenagear o maior presidente da história do Brasil, aquele ao qual Lula tenta se comparar, que deu balaço no peito em 24 de agosto de 1954 ao descobrir que seu governo estava afundando num mar de lama. Era só Lula dar uma paradinha no momento a Getúlio Vargas, ali na avenida que leva o nome do verdadeiro líder trabalhista brasileiro e pronto!, estaria criado o fato político para que titio Zeca pudesse sonhar em virar o jogo contra André Puccinelli.
Mas que Getúlio Vargas que nada. O cara agora é Lula. Lá e cá. Em vez de reverenciar o “baixinho”, como dizia meu amigo Harrison de Figueiredo para se referir ao ídolo que resolveu homenagear com o monumento ali no redondo em frente a Agência Fazendária, o PT prefere aproveitar a presença do presidente da República – que vem à capital do trabalhismo com a desculpa de inaugurar uma cantina na UFGD – para fazer proselitismo político em favor de seus candidatos, que capengam numa eleição tida como perdida, exceção, claro, à fada madrinha do governador.
Lula poderia ir além, ele que fala tanto em reforma agrária. Já que a visita a Dourados é numa data tão especial, e como não tem nada de novo para inaugurar, e aproveitar para visitar o local que um dia foi sede da Colônia Agrícola Nacional de Dourados, criada pelo mesmo Getúlio Vargas, ali na Vila São Pedro, o embrião do primeiro grande projeto de colonização do Brasil. Aí, sim, a visita ganharia um simbolismo todo especial e, quem sabe até, pudesse surtir algum efeito político.
Mas não adianta ficar aqui com elucubrações saudosistas. Lula desembarca com sua tropa amanhã para virar o jogo e, na próxima pesquisa, já na sexta-feira, Zeca, obrigatoriamente, terá que estar na frente, ou, pelo menos, encostado no italiano. Senão, babau governo.
