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quinta-feira, julho 2, 2026

Quem põe um ponto aumenta uns pontos

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26/08/2010 – 14:08

Foto: divulgação 

Lula, Dilma (de ponto eletrônico no ouvido) e Zeca do PT, terça-feira passada, em Campo Grande.

Quando o tucano José Serra disse no Jornal Nacional, na Rede Globo, que o Brasil não pode ter um governante que precisa de garupa de alguém, uma referência à provável continuidade do governo Lula, em caso de vitória de Dilma Rousseff, estava, na verdade, dizendo que o (a) presidente da República não pode ser tutelado. Que Dilma e Lula são a mesma coisa. Pior (ou melhor, sabe-se lá), que quem manda em Dilma é Lula. Se Serra estava ou não certo só o tempo dirá, diante da iminência da eleição da ungida do Planalto, mas que já está sendo tutelada, isto é a mais absoluta verdade. A prova veio a público no comício de Campo Grande, desta terça-feira, quando ela foi flagrada usando um ponto eletrônico, um equipamento por meio do qual os apresentadores, principalmente de TV, são orientados por alguém que está fora de cena.

Não bastasse o excesso de produção televisiva que aproxima Dilma Rousseff muito mais da ficção do que da realidade brasileira a ser enfrentada pelo próximo governante, o flagrante do uso do ponto eletrônico mostra que ela é muito menos autêntica do que Lula tenta passar aos eleitores quando conta a historinha da secretária do governo gaúcho que chegou com um laptop em seu gabinete, de onde saiu como futura ministra das Minas e Energia.

Não é à toa que essas engenhocas eletrônicas são proibidas nos debates com os candidatos na TV. Exatamente porque ali, no tête-à-tête, é que o eleitor vai poder melhor conhecer as ideias de cada um, sem o auxílio das milionárias produções que transformam essas figuras em verdadeiros pop-stars nos programas gravados. Da mesma forma, o comício, o palco mais tradicional dos grandes embates eleitorais, ultimamente até em desuso exatamente por causa da força de penetração do rádio e da TV, é o local onde o candidato costuma extravasar, falar com a emoção, mostrando a que veio, não com alguém buzinando – ou ditando – lá atrás, exatamente o que é para ser dito.

Mas, como diz meu amigo Cícero Faria, no ouvido do cururu, “é a muderrrnidade”. Ou, parafraseando Machado de Assis, quem põe um ponto aumenta uns pontos. Na pesquisa.

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