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quinta-feira, julho 2, 2026

Debate da TV Morena não muda rumo da eleição

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29/09/2010 – 08:09

Foto: Rachid Waqued

Zeca do PT, o intruso Ney Braga e André Puccinelli, feliz da vida.

O pouco que ganhou com o apoio de Luiz Ignácio nesta campanha eleitoral Zeca do PT pode ter perdido depois do debate desta terça-feira na TV Morena. Fugindo de temas espinhosos, como a explosiva entrevista do deputado Ary Rigo, na qual seu nome aparece ligado à família Uemura, acusada de chefiar o maior escândalo de corrupção da história de Dourados, o candidato petista, diferentemente do que faz nas propagandas gravadas do horário eleitoral, “esqueceu-se” de questionar o governador André Puccinelli sobre o assunto. Já Puccinelli, tirante o visível incômodo inicial com uns óculos muito provavelmente comprados por Chico Santa Rita em algum camelô da 25 de Março, em São Paulo, para melhor destrinchar os números com os quais colocaria Zeca no canto do ringue, tirou de letra (e bastante proveito) este que é o mais incômodo tema da atual campanha, mandando o falastrão deputado Ary Rigo às favas, aproveitando para detalhar ainda mais a contabilidade de seu governo, sempre na ponta da língua.

Zeca do PT, tal qual o aluno que se esmera no decoreba para a prova final, foi para o debate afiado, mas com discurso pouco consistente e repetindo frases prontas e de fácil assimilação pelo povão, tentando ganhar no grito, agredindo Puccinelli do começo ao fim do programa e, pior, tentando se sair como vítima, até que o governador, bem no seu estilo “deixa que eu chuto” soltou um petardo “daqueles” para mostrar ao telespectador que o tema corrupção não soava bem aos ouvidos do petista, com o que Zeca sossegou o facho.

Aliás, foi preciso um debate ao vivo de televisão para André Puccinelli se livrar do engessamento a que foi submetido durante toda a campanha pelo marqueteiro Santa Rita. O André carrancudo e travado dos programas eleitorais, ali, cara a cara com Zeca e fazendo dos “benditos” óculos apenas um brinquedinho para distrair a atenção do adversário, era o André que faz a galera vibrar com seu palavreado às vezes meio rebuscado mas sempre contundente, que pode até deixa assessores sempre com o coração saindo pela boca, mas que sobe no ibope como ninguém.

Na estratégia, Puccinelli foi fiel às orientações dos marqueteiros, debulhando números e mais números de sua administração, até porque são consistentes, com seus três anos e meio de governo deixando os oito anos de Zeca do PT “no chinelo”. E isso não é bravata. Quando por exemplo, tascou em Zeca um questionamento sobre suas realizações no saneamento básico o petista saiu pela tangente, e sem ter o que mostrar, insinuou que existe um zuzunzum de que André poderá vender a Sanesul em seu segundo governo. Nas réplicas e tréplicas, era André com seus números e Zeca sempre na defensiva. Foi assim até as considerações finais, quando o governador aproveitou todo o tempo para um resumão do governo enquanto que Zeca, bem ao estilo dos animadores de programa de auditório, aproveitou para mandar abraços para companheirada.

Zeca do PT passou quatro anos alardeando que tudo que queria na vida era um dia debater com André na TV. Teve a oportunidade ontem e jogou fora. Aliás, foi vítima do próprio blefe, diante da ameaça de que iniciaria o debate alertando ao adversário de que “que só não valia chorar”, numa insistente alusão aos momentos de emoção vividos por André como governador.  Zeca até que tentou chorar no final do debate, mas, pelo jeito, a assessoria esqueceu o colírio durante o intervalo. André, além de não chorar, usou e abusou da descontração, até desdenhando o adversário em algumas situações, conversando com a câmera, sem o famigerado teleprompter, como se estivesse conversando com sua Bete, no aconchego do lar.

O debate, mediado pela global brasiliense Poliana Abritta teve também a participação de Ney Braga, o dono de uma pastelaria no centro de Campo Grande cujo único erro de conceito foi um dia achar que poderia estar ali, naquela bancada, entre duas feras, como André Puccinelli e Zeca do PT.  

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