04/10/2010 – 07:10
No final do ano passado, durante uma conversa em seu gabinete, o governador André Puccinelli quis saber minha opinião sobre a corrida sucessória com vistas às eleições municipais de Dourados, preocupado, já àquela altura do campeonato, com as lambanças do Valdecir. Ele quase caiu da cadeira com minha resposta: se seus aliados não tiverem juízo vai ter fila em frente a casa de Tetila (foto), com pedidos para que ele volte. Agora, com a reeleição do professor petista Laerte Tetila para a Assembleia e, diante das “estratégias” de campanha de alguns peemedebistas, como, por exemplo, a que fez sucumbir a candidatura senatorial de Murilo Zauith, este raciocínio fica ainda mais cheio de lógica.
Tetila é do PT, foi vereador, dos mais combativos, deputado estadual, líder do governo Zeca na Assembleia e um grande prefeito de Dourados. Grande não só na estatura física, mas também na estatura moral, apesar de chamuscado pela operação Brother, devido a resquícios de sua administação, como também grande na consistência de sua administração, queiram ou não os adversários. Sozinho, desde que não haja fogo amigo como agora, tem 30% dos votos do PT. É um conciliador e não tem mais idade para fazer bobagem. Não duvidem, portanto, se sua candidatura reunir uma espécie de consenso, coligado com o próprio Murilo Zauith, que estará muito à vontade para apoiar quem bem entender ou mesmo tendo em sua chapa um vice peemedebista. Na pior das hipóteses, dependendo do que conversar com André Puccinelli daqui até lá – se é que já não começaram a conversar – indica um candidato a vice na chapa peemedebista e segue seu rumo como deputado.
Isto só não aconteceria se Murilo Zauith resolvesse encarar, pela terceira vez, uma disputa municipal. Mas, principalmente depois da rasteira levada na disputa pelo Senado, dificilmente ele ofereceria novamente seu nome para avaliação dos douradenses. Se bem o conheço, vai fugir de campanha, daqui pra frente, como o diabo foge da cruz. Estamos analisando, evidentemente, eleições dentro do calendário normal, em 2012, já que o imbróglio provocado com a vacância do cargo do Valdecir pelo jeito vai longe.
Outra possibilidade de mudança neste quadro seria o retorno de George Takimo à cena política, com mandato. Um dos maiores articuladores, nos bastidores, Takimoto até já tentou a prefeitura, contra o próprio Tetila e Murilo Zauith. Naquela época, era, literalmente, um japonês a mais no caminhão. Hoje, com a desmoralização meio que generalizada da classe política, inclusive alguns dos eleitos, salvos pelo gongo, pode ser que o médico que é uma espécie de pai dos pobres volte a incomodar, mas teria, também, que rever alguns conceitos e, antes de mais nada jogar fora o caderninho onde anota o nome de seus eleitores e, pelo menos, comprar um computador para começar a fazer política mais profissionalmente.
Não se esquecendo que, durante seu segundo mandato como prefeito, meio de saco cheio com a política, o professor Laerte Tetila comentou com seu fiel escudeiro Luiz Tada que não via a hora de tudo acabar, para que pudesse colocar seu bermudão e voltar a se dedicar aos livros. Agora está aí, de novo, o professor, no mesmo trampolim de onde saltou para a prefeitura em 2000.
Veja a relação dos eleitos para a Assembléia e, observem, o nome do tucano bico mole Ary Rigo não consta dela. E, no final, os eleitos para a Câmara Federal:
Deputados Estaduais:
MARQUINHOS TRAD – 56.287
ZÉ TEIXEIRA – 41.991
PAULO DUARTE – 40.991
MARUN – 40.163
JERSON DOMINGOS – 38.204
ONEVAN DE MATOS – 36.962
PAULO CORREA – 35.330
JUNIOR MOCHI – 31.881
LONDRES MACHADO – 30.266
MARCIO MONTEIRO – 29.052
ARROYO – 28.489
MAURICIO PICARELLI – 28.277
ALCIDES BERNAL – 26.159
FELIPE ORRO – 25.703
EDUARDO ROCHA – 25.428
DIONE HASHIOKA – 24.636
GEORGE TAKIMOTO – 23.646
MARCIO FERNANDES – 23.138
TETILA – 21.781
PEDRO KEMP – 21.779
CABO ALMI – 20.604
TITA – 20.277
MARA CASEIRO – 19.888
LAURO DE DAVI – 18.244
Deputados Federais:
GIROTO – PR – 144.555 (11,47%)
REINALDO AZAMBUJA – PSDB – 120.495 (9,56%)
VANDER – PT – 113.995 (9,04%)
FABIO TRAD – PMDB – 80.681 (6,40% )
GERALDO RESENDE – PMDB – 78.347 (6,21%)
MANDETTA – DEM – 78.018 ( 6,19%)
MARÇAL FILHO – PMDB – 60.367 (4,79%)
BIFFI – PT – 58.755 (4,66%)
